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GILBERTO JASPER

No Brasil, a fantasia é mais divertida

Costumo criticar aqueles que se confessam fãs de artistas, cantores, jogadores de futebol, influenciadores. Ou seja, celebridades em geral. Considero uma atitude pouco inteligente, afinal, são pessoas que vivem de sua imagem, forjada a partir de aparatos tecnológicos e “monetização”. Isso significa transformar serviço ou conteúdo em dinheiro ou lucro. Nem sempre o que pregam publicamente é o que fazem em sua vida privada.

No mundo sob domínio cada vez maior da tecnologia, fica muito difícil “separar o joio do trigo”, como se dizia antigamente. Aos mais jovens, explico. Trata-se de uma simplificação do processo para discernir o certo do errado. Tem muita gente íntegra, honesta e ética nas redes sociais e no mundo das celebridades. Mas temos que convir que existe uma proliferação cada vez maior de personagens cuja biografia é altamente suspeita em termos morais.

Faço este preâmbulo para admitir que preciso, com urgência, rever meu ponto de vista sobre essas pessoas que se apaixonam – literalmente – por desconhecidos/conhecidos da internet. Isso explica boa parte do descaso ou da ojeriza – leia-se nojo – das pessoas leigas no tema “política”.

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Acompanhar o noticiário constitui exercício de sadismo. É, em palavras mais simples, gostar de sofrer, diante de tantas atrocidades cometidas por autoridades dos três poderes que deveriam servir de exemplo.

No Brasil contemporâneo, muitos integrantes desse contingente de personalidades públicas – nomeados ou eleitos pelo voto popular – servem exatamente do contrário. São símbolos de vergonha, postura antiética, falta de caráter e comportamento republicano. Já escrevi sobre esse “fenômeno” que nasce em Brasília e se espalha país afora. Mas é impossível manter-se alheio ao noticiário que todos os dias acrescenta mais combustível em uma fogueira, cujas consequências são impossíveis de prever.

A chamada “mais alta corte do país” se transformou numa espécie de assembleia de condomínio permanente. Ali, ao invés de sensatez, equilíbrio e respeito aos princípios da boa educação, nota-se a defesa de interesses pessoais em detrimento da instituição, comportamentos vulgares e personalismo.

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Essas atitudes constrangem até mesmo os leigos em Direito. Mortais comuns, pagadores de impostos que sustentam essa elite do Poder Judiciário, perdem a fé no que deveria ser o mais sagrado recôndito em defesa dos direitos preconizados pela Constituição.

O cidadão indaga: “Se eles, doutores, que tudo podem e decidem sobre a vida de todos nós, mandam prender e soltar, comportam-se dessa maneira, por que devo seguir as leis, os costumes e o bom senso e ser uma pessoa exemplar?”.

Hoje, no Brasil, é mais fácil acreditar nas lendas criadas pela internet.

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