A cada eleição, na véspera do pleito, recebo ligações e mensagens de celular de vários amigos com dúvida única: em quem vo-tar para cargos de todos os níveis.
Na última eleição – para prefeito e vereador –, cinco parceiros de vida ligaram – dois deles estavam na fila, à espera para acessar a urna eletrônica. Todos com nível de escolarização de superior completo, dois deles, aliás, com pós-graduação.
Neste ano, o “guichê de consultas políticas do Giba” foi acionado bem mais cedo. Domingo, tomando um chimas na Praça da Encol, em Porto Alegre, fui surpreendido por uma amiga para a consulta eleitoral:
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– Bom dia, meu amigo. Desculpa ligar em pleno domingo, mas como sou muito organizada, resolvi fazer contato com antecedência. Preciso da tua orientação para escolher os nomes para a eleição deste ano, afinal, tu fez assessoria política por muito tempo – foi logo se justificando a prezada amiga. Ser alvo desse tipo de pedido é uma enorme responsabilidade.
O comportamento dessas pessoas é resultado da demonização da atividade política. Não ignoro os escândalos de corrupção, troca de favores, busca de vantagens pessoais e tantas outras nuances que envolvem inúmeros detentores de mandato eletivo.
Esse fenômeno, no entanto, deveria estimular o eleitor a busca de candidatos com biografia ilibada para merecer o voto. A nominata dos pretendentes é pública, mas é minúsculo o contingente de eleitores que pesquisam sobre os candidatos, buscando informações sobre a origem, trajetória, ficha corrida e realizações.
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Neste ano, o eleitor tem um complicador tecnológico a embaralhar suas escolhas. A inteligência artificial nos “brinda” diariamente com vídeos e áudios atribuídos a pessoas que nem sempre são os verdadeiros protagonistas dessas peças de mídia.
A Justiça Eleitoral é incapaz de combater com eficiência e velocidade as falsificações que lotam nossos celulares. Existem regras claras para coibir os abusos, mas a proliferação dessas fakes news produzidas com capricho tecnológico impede de discernir o que é verdadeiro do que é falso.
A divulgação de conteúdos manipulados pode causar prejuízos irreversíveis às vítimas da adulteração. Mesmo com a determinação de retirada desses vídeos, áudios e textos, o alcance através das redes sociais causa estragos à imagem dos candidatos.
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“Se a tecnologia tornou possível falsificar uma voz em poucos minutos, o Direito precisa garantir que a velocidade da mentira não seja maior que a capacidade de reação das instituições. Nas urnas, a autenticidade também é uma forma de liberdade”, escreveu Luciano de Faria Brasil, procurador de Justiça e presidente da Fundação do Ministério Público do Rio Grande do Sul, em recente artigo publicado no Jornal do Comércio. Perfeito!
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