Nessa semana, me reuni com um cliente em Santa Maria.
Muito orgulhoso, ele forrou de elogios sua equipe. O pessoal era top e, em 25 anos de atividade, a empresa “nunca tinha levado um tufo”.
Fiquei pensativo sobre como ele reagiria se eu dissesse que o Tribunal de Justiça pode reverter uma decisão favorável na primeira instância. Será que ele, decepcionado, não aceitaria ou fingiria não existir um fracasso parcial?
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Percalços, mudanças de rota e decepções são parte importante do crescimento de pessoas e de empresas. É tão normal quanto salutar se reinventar ao longo do tempo, processo pelo qual a empresa desse cliente deve ter passado ou necessariamente passará.
O gerente dele deve ter matado no peito muita coisa: o veterinário triplicou a dose em vez de diluir 30%; não disse; o contador arriscou o próprio pelego; o advogado errou a estratégia, mas tudo passou.
A decepção também fez parte das trajetórias sucedidas, ainda que seja mais tendencioso que só esquecer e seguir em frente.
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Desapontar os outros é difícil e doloroso, mas inevitável. Erramos com quem amamos, uma hora ou outra, por melhor que façamos o que for. É inevitável que expectativas sejam criadas em cima de quem é importante, decisivo.
Perder um voo, esquecer a letra de uma música, escorregar na frente da área na final da Copa Libertadores… está sujeito a acontecer, especialmente com quem cumpre uma função importante.
Ninguém se decepciona com alguém que não faz diferença nenhuma. Ou que sempre erra.
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Os pensamentos pertencem somente a quem os cultiva sem compartilhar suas ideias. Esse processo acaba criando uma imagem ideal e exclusiva a respeito de alguém, que, dificilmente, corresponderá à expectativa.
A parte cruel de decepções muito profundas é que elas podem gerar tristeza e afastamento irreversíveis.
Pedir desculpas pelos erros… isso nunca faz mal, mas pode ser que não adiante. Sentir-se mal é necessário, pois proporciona maturação das próximas decisões e transforma atitudes. Muitas vezes, só isso interessa a quem se decepciona contigo.
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É um exercício de empatia adequar o próprio comportamento de forma a não decepcionar os outros. Obviamente, limites precisam ser estabelecidos nas relações interpessoais mais próximas por meio de conversas, não raras vezes difíceis e cansativas.
Quem te ama merece a parte mais genuína de ti, não a decepção por uma imagem que não corresponde com o conjunto dos teus valores e das tuas atitudes. Sentimento é documento.
Quem se decepciona contigo sem te conhecer não merece tua preocupação. Revisar tua conduta com autocrítica já basta.
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