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CIDADANIA

Em meio a filas, eleitores mostram compromisso com a democracia nas urnas

Foto: Inor Assmann

Corredores do bloco 18 da universidade foram tomados por eleitores, especialmente nas primeiras horas da manhã

Com mais de 120 mil cidadãos aptos a votar, a maioria mulheres, Santa Cruz do Sul e Vera Cruz registraram intensa movimentação nas seções eleitorais. Nos demais municípios da região, o fluxo também foi grande, com formação de filas nos horários de pico.

Desde a abertura dos locais de votação até o fim da tarde desse domingo, 4, os mesários atuaram para orientar o eleitorado. As equipes de reportagem da Gazeta Grupo de Comunicações percorreram os principais pontos para acompanhar o pleito em tempo real, com transmissão multimídia pelas rádios e pelo Portal Gaz.

Na Universidade de Santa Cruz do Sul (Unisc), maior colégio eleitoral do município, o movimento concentrou-se no período da manhã. Por volta das 10 horas, eleitores relataram filas no Bloco 18, que concentrou 17 seções de votação.

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Segundo o técnico administrativo da instituição Humberto Maliszewski Janovik, a quantidade de cargos em disputa – deputado federal, deputado estadual, senador, governador e presidente – exigiu mais tempo do público na cabine. Cerca de 6 mil pessoas estavam aptas a votar no local.

O dia do voto

Aos 78 anos, o comerciante aposentado Romero Steffens foi à Unisc para votar acompanhado da mulher, a professora aposentada Maslova Steffens, de 75. Para ele, exercer a cidadania é um compromisso. “Fazemos questão de participar das eleições, mesmo não tendo mais a obrigatoriedade devido à nossa idade”, destacou.

Romero e Maslova fizeram questão de votar, mesmo não tendo a obrigação. Foto: Inor Assmann

Acompanhada da filha, Roberta Gil da Rosa, de 31 anos, a professora aposentada Valderes Gil, de 74, também votou no Bloco 18 da Unisc na manhã de ontem. A santa-cruzense ressaltou a importância de cumprir o dever de cidadã e disse que sempre procurou transmitir essa mesma ideia à filha.

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Valderes contou que a família alterou o local de votação para que todos pudessem votar reunidos. “Meus pais votavam na Escola Ernesto Alves. Quando fiz o título de eleitor, o meu local ficou na Unisc. Então, eles resolveram alterar para estarmos unidos neste momento”, afirmou Roberta.

Roberta e Valderes: momento de exercer a cidadania e reunir a família. Foto: Inor Assmann

Para superar limites e pensar no futuro

Em Vera Cruz, o cenário era diferente do registrado na universidade. A movimentação foi tranquila durante a manhã na Escola Estadual de Ensino Médio Vera Cruz, maior colégio eleitoral do município. As filas eram pequenas nas seis seções do prédio, que atendiam mais de 2,4 mil cidadãos aptos a votar.

Aos 68 anos, o caminhoneiro aposentado José Miguel Severo sofreu um acidente de trânsito em 2014 e usa muletas. Mesmo com a limitação, fez questão de ir votar. Ele afirmou que espera, principalmente, melhorias na saúde e na educação.

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Fotos: Inor Assmann

Votação tranquila, apesar do temporal

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, afirmou em entrevista coletiva na tarde desse domingo que os temporais no Rio Grande do Sul não impediram o acesso dos eleitores às seções.
“Não houve inundação ou alagamento que impedisse o deslocamento de eleitores”, salientou o magistrado.

A declaração foi dada no dia do primeiro turno das eleições gerais, após um fim de semana de chuvas intensas no Estado. Segundo a Defesa Civil, vendavais, granizo, enchentes e raios provocaram 38 ocorrências em 37 municípios, com danos humanos ou materiais em 30 ds municípios atingidos. O balanço divulgado pela manhã apontou 13.372 pessoas afetadas e 80 desalojadas, sem registro de mortos, desaparecidos ou óbitos em investigação.

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Análise

Também na coletiva, Kassio Nunes Marques disse não ter havido grandes obstáculos ou ocorrências durante a realização das eleições. Ele afastou suspeitas de interferências estrangeiras no processo eleitoral brasileiro. Ao ser questionado, o presidente do TSE ressaltou que nenhum relatório da Polícia Federal (PF), da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) ou de qualquer outro órgão trouxe indicativos de que o processo eleitoral deste ano pudesse ser alvo de ameaças externas ou do crime organizado.

Nunes Marques frisou ainda que o temor da disseminação de deepfakes – vídeos hiper-realistas fabricados por inteligência artificial – também não se concretizou, sem ocorrências de repercussão significativa. Segundo ele, não houve registro de grandes problemas com o sistema eletrônico de votação, ainda que 1.121 urnas tenham precisado ser substituídas em todo o Brasil, o equivalente a 0,2% dos 499.248 equipamentos empregadas na votação. “Não há votação manual no País”, afirmou o presidente do TSE.

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