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FALANDO DE DINHEIRO

Francisco Teloeken: “Independência financeira”

Foto: Divulgação

Neste dia 7 de setembro, comemoramos mais um aniversário da Independência do Brasil. Infelizmente, como já acontece há alguns anos, a data que deveria congregar todos os brasileiros, independente de ideologias, tem sido sequestrada por grupos partidários, inclusive com a apropriação das cores da bandeira e de símbolos nacionais.

Chama a atenção que, no dia do evento da Independência do Brasil de Portugal, brasileiros ostentem, orgulhosamente, a bandeira dos Estados Unidos. Seria a vontade de voltar a depender, não mais de Portugal, mas dos americanos? Independente dessas incoerências, o fato histórico, embora distante e desvirtuado, pode inspirar-nos a planejar o nosso dia da independência. Das várias dependências a que estão sujeitas a maioria das pessoas uma delas, certamente, é a financeira.

Antes, entretanto, é preciso entender que, mesmo entre especialistas, existe quem confunda independência financeira com liberdade financeira. A liberdade financeira é um conceito abrangente e, ao mesmo tempo, mais arriscado. Todos nós temos liberdade financeira no sentido de que podemos gastar nosso dinheiro ou assumir compromissos financeiros da maneira que acharmos melhor, sem necessidade de aprovação ou apenas submetidos a restrições por parte de terceiros, no caso de operações de crédito. Sem um objetivo ou estratégia clara, muitas pessoas, com liberdade financeira, acabam tomando decisões financeiras erradas, o que pode levar ao descontrole financeiro e ao endividamento. Ter liberdade financeira não significa ter um futuro financeiro seguro.

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Já a independência financeira ocorre quando a pessoa consegue acumular um patrimônio, em investimentos financeiros ou imóveis que gerem rendimentos suficientes para cobrir todas as suas despesas e ainda ter uma sobra que permita garantir que o patrimônio continue crescendo. O ideal é que os rendimentos sejam o dobro do valor do custo do padrão de vida. Esse deve ser o verdadeiro objetivo para quem busca segurança financeira a longo prazo.

Para sair da dependência financeira, de não precisar preocupar-se com receitas de salários ou rendas, não existe fórmula mágica, pois cada pessoa possui metas e sonhos particulares. Mas, é claro que a independência financeira exige planejamento, disciplina, foco e paciência. Começar a poupar e investir desde cedo é fundamental. O Phd Reinaldo Domingos, criador da DSOP Educação Financeira, diz que a independência financeira não é um objetivo tão distante ou impossível de ser alcançado, listando algumas orientações que considera fundamentais para chegar  a esse ponto:

  1. Levantar os gastos: antes de começar a poupar, é preciso analisar os hábitos financeiros pessoais e familiares, fazendo um diagnóstico da situação; durante 30 ou 60 dias, anotar todos os desembolsos efetuados, desde o valor de um cafezinho até prestações de financiamentos de casa, apartamento, carro ou de outro valores maiores. A partir desse levantamento, é possível ajustar os gastos, diminuindo, substituindo ou eliminando despesas;
  2. Calcular o valor necessário de investimentos que gerem rendimentos para cobrir as despesas habituais;
  3. Estabelecer uma meta de poupança mensal: definir quanto pode e quer economizar mensalmente; quanto mais cedo começar, mais rápido vai alcançar o objetivo;
  4. Ser persistente: não desistir diante das dificuldades;
  5. Aprender sobre investimentos: tão importante quanto poupar é essencial investir o dinheiro de maneira que renda valores que atendam às despesas habituais, com sobras para manter ou até aumentar o patrimônio;
  6. Efetuar revisões: pelo menos uma vez por ano ou quando ocorrer alguma mudança importante, revisar os gastos, os rendimentos e os investimentos.

Para a maioria dos brasileiros, a independência financeira parece ser um sonho utópico, fora do alcance. Grande parte dessa dificuldade vem da realidade financeira do Brasil, com condições socioeconômicas muito restritivas, principalmente pela desigualdade de renda que não permite sobras para formar uma reserva financeira, quem dirá juntar um patrimônio.

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É preciso que as pessoas compreendam a importância de organizar suas finanças, mudar sua relação com o dinheiro e o consumo, e investir de forma consciente e planejada, mesmo começando com pouco. Existem pessoas que aprenderam a fazer isso com seus pais ou com as  próprias experiências.

Outras, que não tiveram a mesma sorte, devem buscar a educação financeira com o objetivo de construir um modelo mental que promova a sustentabilidade, crie hábitos saudáveis e proporcione o equilíbrio entre o ser, o fazer, o ter e o manter, com escolhas conscientes para não só o atendimento das necessidades básicas, mas também a realização de sonhos.

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