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GISELE SEVERO

Regular emoções: o corpo que sente, a mente que aprende e os vínculos que sustentam

Foto: Freepik.com

Falar sobre regulação emocional é compreender que não somos apenas mente, somos corpo, história e relação. E, por isso, regular o que sentimos não acontece apenas no pensamento, mas na forma como vivemos.

As emoções se manifestam no corpo antes mesmo de se tornarem palavras. Ansiedade acelera, tristeza pesa, raiva tensiona. Ignorar isso é desconectar-se de um dos principais caminhos de autorregulação. É nesse ponto que a atividade física deixa de ser apenas estética ou disciplina e passa a ser recurso psicológico.

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Movimentar o corpo regula o sistema nervoso. Caminhar, correr, treinar ou até práticas mais suaves ajudam a metabolizar emoções que, quando reprimidas, tendem a se intensificar. O exercício físico favorece a liberação de neurotransmissores como endorfina e serotonina, associados à sensação de bem-estar, além de reduzir níveis de estresse. Mais do que isso: cria uma experiência concreta de presença, tira o sujeito do excesso de pensamento e o reconecta ao agora. Mas o corpo, sozinho, não resolve aquilo que a história emocional construiu.

É aqui que entra o processo terapêutico. Ser terapeutizado é aprender a reconhecer padrões, compreender gatilhos e dar sentido às próprias reações. Muitas vezes, a dificuldade de regular emoções não está na intensidade do que se sente, mas na falta de recursos internos para lidar com isso. A psicoterapia oferece esse espaço de elaboração: um lugar onde a emoção não precisa ser evitada, mas pode ser compreendida.

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Ao longo desse processo, o indivíduo desenvolve maior consciência emocional, aprende a nomear o que sente, amplia sua tolerância ao desconforto e, principalmente, constrói novas formas de responder ao mundo. Não se trata de eliminar emoções difíceis, mas de não ser dominado por elas.
Outro aspecto frequentemente negligenciado, mas profundamente determinante, é o ambiente relacional.

Conviver com pessoas saudáveis emocionalmente ou, ao menos, comprometidas com o próprio processo influencia diretamente nossa regulação. Relações salutárias são aquelas em que há respeito, escuta, limite e reciprocidade. Ambientes assim diminuem estados de alerta constante e favorecem segurança emocional. Por outro lado, vínculos instáveis, críticos ou excessivamente exigentes tendem a desorganizar, ativando respostas emocionais intensas e recorrentes.

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Regular emoções, portanto, não é um esforço isolado. É um processo que envolve cuidar do corpo, investir em autoconhecimento e escolher, sempre que possível, contextos que não nos adoeçam.
No encontro entre movimento, consciência e vínculo, vamos aprendendo que sentir não é o problema.
O que transforma nossa experiência é como sustentamos, elaboramos e compartilhamos aquilo que sentimos. E isso, sim, pode ser aprendido nos nossos processos do viver.

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