Escrevo este texto ainda em meio à apuração dos votos. Sem elementos, portanto, para fazer análises mais contextualizadas. Mas algumas considerações me parecem pertinentes.
A começar pelo surpreendente desempenho do governador eleito pelo Rio Grande do Sul, Luciano Zucco (PL), com 58,01% dos votos. Não é da tradição do Estado definir uma disputa em primeiro turno. Ao contrário, em sucessivos pleitos tivemos brigas acirradas, reviravoltas espetaculares, vitórias e derrotas inesperadas.
O que aconteceu? Primeira constatação: a candidatura de Juliana Brizola (PDT) e Adão Pretto (PT), imposta pelo presidente Lula, não foi digerida pelas bases e em nenhum momento decolou. No jargão popular se diria que “não deu liga”. Causa ou consequência, ficaram abaixo do esperado também as votações dos candidatos ao Senado, Manuela D’Ávila e Paulo Pimenta, atropelados pelos vitoriosos Ubiratan Sanderson e Marcel van Hattem, os senadores de direita que vão formar a bancada gaúcha ao lado de Hamilton Mourão.
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Pela soma desses fatores e, sobretudo, pelo acerto na formatação e condução da campanha, Luciano Zucco disparou. Arrisco dizer que até o novo governador se surpreendeu com o resultado das urnas. Ainda não conheço a formação das bancadas na Assembleia, mas é certo que o eleito está ungido pela escolha da maioria dos gaúchos.
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Uma segunda consideração diz respeito à renovação do Senado. O eleitor deixou claro que não concorda com a subserviência ao Judiciário e com o desprezo ao clamor popular em questões de seu máximo interesse.
Os primeiros nomes de eleitos em praticamente todos os estados confirmam uma mudança no perfil e no espectro ideológico mais à direita, em substituição a nomes de peso pelo espaço que ocupavam na mídia, como Randolfe, Janones, Gleise Hoffmann, entre outros.
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A nova composição do Senado também se traduziu na votação para a presidência. A vantagem de Flávio Bolsonaro no primeiro turno, contrariando a maioria das pesquisas, alavancada por vitórias robustas nas eleições em vários estados, complica a tentativa de reeleição do presidente Lula.
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Por fim, uma interrogação: até que ponto o Judiciário interferiu nesta eleição? Esta é a pergunta que os brasileiros se fazem hoje. O que se viu na quinta-feira, 1º, que deveria ter sido o dia do grande debate dos presidenciáveis em rede nacional, quando ministros do TSE e do STF jogaram decisões de um lado para outro como se o Brasil, nossa Pátria, fosse uma mesa de pingue-pongue, beira o inimaginável.
Como nação, um país, uma sociedade, estamos reduzidos a uma várzea. Um latifúndio de várzea lamacenta, fétida, tomada de espécies pestilentas, sempre prontas para ajustar legislações, inclusive a Constituição, a interesses escusos.
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O povo não aguenta mais. E está dando sinais.
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