Os gaúchos têm a fama de serem um povo conservador. Não no sentido ideológico do termo, mas pela manutenção de hábitos e pela resistência às mudanças radicais. Da mesma forma, o gaúcho não perde o costume da grenalização, que começou com chimangos e maragatos e segue trocando as cores do lenço, mas sempre com a dualidade viva e forte. Na política também é assim. Em 2022, quebrou um paradigma ao reeleger um governador pela primeira vez. Eduardo Leite (à época no PSDB) ganhou a chance de administrar o Rio Grande do Sul pela segunda vez.
No domingo, 4, elegeram em primeiro turno Luciano Zucco (PL). É somente o quarto governador eleito em primeiro turno desde a redemocratização, em 1985. Os outros foram Jair Soares (PDS), Pedro Simon (PMDB) e Tarso Genro (PT). Assim como o nome para o Palácio Piratini é de direita, as bancadas desse viés ideológico foram ampliadas na Assembleia Legislativa e na Câmara Federal. Além disso, os dois senadores tiveram votação expressiva: Ubiratan Sanderson (PL) e Marcel van Hatten (Novo). Ambos atuaram juntos na campanha e essa unidade se refletiu em voto.
A presença feminina no Parlamento gaúcho também pode ser apontada como diferencial. Houve um crescimento de 45,45% no número de deputadas, passando de 11 para 16. Ainda assim, são a minoria no Legislativo. Isso não quer dizer que não tenham voz. Elas conseguem ocupar o espaço e colocar os assuntos com a devida relevância em debate.
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E Santa Cruz do Sul conseguiu ir além. As três vagas conquistadas por representantes do município são de mulheres: Kelly Moraes (PL), Nicole Weber Covatti (PP) e Bruna Molz (Podemos). Elas conseguem exercer suas responsabilidades de forma combativa, sem perder a essência. Um exemplo foi a entrevista de Bruna nessa segunda-feira, 5, ao programa Estúdio Interativo, da Rádio Gazeta FM 107,9. Enquanto falava de seus planos para atuar na Assembleia, adiantou a preocupação sobre como fará para se organizar com a filha, uma preocupação tão típica da maternidade. Elas são as típicas Anitas, da referência a Anita Garibaldi presente na música interpretada por Marlene Pastro: “Amante de noite, soldado de dia: um filho no braço, no outro um fuzil”.
O “endireitamento” do Rio Grande do Sul é mais um exemplo da grenalização. O Estado, que hoje se transforma em uma das referências da direita ideológica no País, já teve o mesmo título, mas para o lado esquerdo. Há anos, enquanto ainda não se falava nos eventos Summit, o que atraía os olhares e atenção para o Sul do Brasil era o Fórum Social Mundial, que tinha um público bem alternativo durante um bom tempo em Porto Alegre, a capital do Orçamento Participativo.
E essa característica de polos não é recente, haja vista todas as outras brigas que já tivemos por esses pagos. O fato é que chega o momento em que é preciso sentar à mesa e conversar ou, como canta Mano Lima sobre chimangos e maragatos: “perceberam, então, que a amizade é mais que um partido. Largaram as armas e se abraçaram os dois amigos”. E que assim seja!
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