Celebremos hoje e sempre os saberes dos ancestrais: costumes, tradições, histórias, dialetos, línguas, contos, lendas, fábulas, cantos, crenças, danças, saberes, bens da cultura dos povos – que brotaram da imaginação, da criatividade, do conhecimento empiricamente amealhado ao longo dos tempos.
Como cada etnia está cuidando de seu Volkskulturgut – dos bens de sua origem, em nosso país rico em diversidade cultural? O que da cultura de tua etnia faz parte de tua vida? A cultura dos antepassados é a seiva ancestral que nutre as raízes étnicas. Comunidade que esquece seu passado, tende a perder parte primordial de sua alma.
Na cultura dos imigrantes alemães existem muitos bens. Alguns presentes nas comunidades, outros a serem recuperados e cultivados pelos descendentes: conhecimentos de ofícios; culinária, provérbios, danças, contos e cantos infantis; expressos em dialeto ou alemão padrão; costumes natalinos e pascais, festas religiosas e mundanas; os Vereine… A propósito, o primeiro Schützenverein/ associação de tiro ao alvo no Rio Grande do Sul foi fundado em Santa Cruz, em 1863. Verein, o costume de grupos de pessoas se unirem em associações, continua realidade presente, registrado na obra de Heitor Schuch, Sociedades Alemãs – A cultura através dos tempos.
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Varrido pelo pó da memória de muitos, mas revelador do imaginário, presente na subconsciência, há um antigo Märchen na cultura popular alemã, conhecido já na idade Média – Das Schlaraffenland/A Terra da Abundância. Hans Sachs (sapateiro, poeta, dramaturgo e mestre-cantor) registrou o conto em 1530 e os Irmãos Grimm o publicaram em 1857. Trata do antigo sonho de uma vida sem penúrias, repleto de fartura. Teria ele se vivificado entre os imigrantes, quando foram convidados a se estabelecerem aqui no Sul? O anseio por uma vida sem preocupações e sem esforço é perene e isso contribui para esse Märchen ser uma história atemporal. Aqui trago um resumo de uma versão adequada para crianças. O texto completo pode ser lido em: https://emhema.de/blogs/marchen/das-marchen-vom-schlaraffenland.
Na aldeia de Hans, o inverno é longo, rigoroso e a sopa é rala, e como ele havia ouvido muitas histórias sobre a terra da abundância, decide, certa manhã, tomar rumo ao encontro deste lugar mágico. Mas para lá entrar é preciso atravessar uma gigantesca montanha feita de mingau de arroz, comer o mingau até atravessá-la – do outro lado da montanha existe uma terra, onde as casas são feitas de pão de mel com especiarias, os riachos conduzem leite e ninguém precisa mover um dedo.
Após muitos anos felizes, Hans recebe do rei uma cesta que nunca fica vazia. Com a cesta ele toma o caminho de retorno a sua casa; come novamente o mingau da montanha para atravessá-la até o outro lado. Chegando em casa, coloca a cesta no centro da aldeia e ninguém precisa mais passar fome. In Hans’ Dorf ist der Winter lang und die Suppe dünn, und weil er zu viele Geschichten vom Schlaraffenland gehört hat, macht er sich eines Morgens auf den Weg dorthin. Doch,wer dort hinein will, muss sich durch einen riesigen Berg aus Reisbrei essen – hinter dem Berg liegt ein Land, in dem die Häuser aus Lebkuchen sind, in den Bäche Milch läuft und dort muss niemand einen Finger krumm machen.
Nach vielen glücklichen Jahren bekommt Hans vom König einen Korb, der nie leer wird Mit dem Korp macht er sich auf dem Weg zurück; isst sich wieder durch den Berg hinaus und zu Hause angekommen, stellt er den Korb mitten ins Dorf, und niemand muss mehr hunger leiden.
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