As tormentas que castigaram diferentes regiões do Sul do Brasil não foram exatamente inesperadas. Há meses, cientistas alertam o mundo a respeito dos perigos do “Super El Niño”. Neste final de semana, os eventos climáticos extremos começaram a mostrar sua força destrutiva.
Segundo dados da Defesa Civil do Estado do Rio Grande do Sul, 130 municípios foram atingidos pelos recentes temporais até o fechamento desta coluna. Entre todos, o mais afetado foi justamente o meu: Santiago.
Na noite de sábado, cerca de 15 minutos de chuva de pedras de granizo arrebentaram a zona urbana do município. Quase 5 mil casas foram destelhadas, enquanto hospitais, escolas e prédios públicos ficaram severamente danificados. Felizmente, nenhum santiaguense morreu naquela tormenta.
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Houve feridos, principalmente porque as pessoas subiram em suas casas, em desespero e despreparo, para tentar cobri-las com lonas. A lotação do hospital civil de Santiago chegou a 80% no domingo.
É instintivo proteger a casa, enquanto abrigo da família, e o patrimônio que se construiu com luta e suor, mas o tumulto de uma situação caótica pode facilmente aumentar os efeitos de uma catástrofe.
Apesar de eventos climáticos extremos terem se tornado cada vez mais intensos e frequentes, ainda não temos, no Brasil, uma diretriz clara sobre como nos comportarmos diante de tempestades.
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Não pretendo ser utópico e impor organização em meio ao caos, mas entendo ser perfeitamente possível criar uma política pública destinada a instruir as pessoas sobre como se proteger e o que não fazer para agravar uma situação de calamidade pública.
Existem exemplos interessantes em outros países. Em 2024, o governo da Suécia distribuiu à população um guia prático de sobrevivência e preparação para casos de guerra, crises, ataques cibernéticos ou desastres naturais. Nos Estados Unidos, as pessoas sabem que devem ir para o porão de casa quando um alerta de tornado é emitido. Se um tsunami atingir o Japão, os moradores das cidades costeiras sabem que precisam evacuar para terrenos mais altos e distantes da costa.
Por fim, é digna de registro a contagiante solidariedade das pessoas na reconstrução de Santiago. Toda essa mobilização, entretanto, não me surpreende.
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Conforme ando pelo mundo, cada vez mais me convenço de que Santiago tem o povo mais hospitaleiro e unido que já vi. Além dessas virtudes, o sentimento de pertencimento das pessoas à terra sempre me encantou e se tornou parte da minha identidade, fazendo-me voltar e viver junto das minhas raízes.
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