Rádios ao vivo

Leia a Gazeta Digital

Publicidade

LUIS FERNANDO FERREIRA

Conexões que importam

Certos problemas só existem na internet. Você rola o feed no celular sem parar, atualiza-se com as polêmicas bombásticas do dia, discute eventualmente com alguém nervoso (quando não é você mesmo), recebe a cota regular de notícias falsas e montagens de IA, ouve as opiniões irrelevantes de influencers sobre assuntos que não lhe interessam, perde seu tempo e às vezes o sono.

No outro dia, a mesma coisa, simplesmente por hábito (ou vício). Você talvez se aborreça com alguma bobagem que viralizou na web, mas basta sair das redes e pronto, acabou. Estamos de volta ao mundo real analógico, onde as pessoas caminham umas ao lado das outras sem gritar suas opiniões a todo momento.

Essa sensação de perda de tempo e inclusive saúde emocional/mental tem motivado, em diferentes países, iniciativas de “desintoxicação digital”. Nos Estados Unidos, um grupo de jovens participou neste ano do projeto “Um mês offline”. Deixaram seus smartphones de lado durante 30 dias, dentro de um movimento crescente de libertação da dependência excessiva em relação às telas.

Publicidade

Após esse “detox”, os participantes relataram melhoras na capacidade de concentração, redução da ansiedade e uma vida social mais satisfatória. Desse modo, está provado: é possível ficar semanas sem celular e não morrer. Quem diria. E ainda aproveitar o tempo para restabelecer conexões humanas, de carne e osso. A experiência do “Um mês offline” me fez lembrar de uma jornada semelhante – só que mais longa e radical – empreendida em 2009, ainda na infância das redes sociais.

Nessa época, a jornalista norte-americana Susan Maushart e seus três filhos adolescentes viveram durante seis meses sem telefones celulares, internet, computadores, jogos eletrônicos – nem mesmo televisão. Por pouco não mergulharam na “natureza selvagem”, à maneira de Henry David Thoreau. O resultado do “Experimento”, como Susan o chamou, foi uma reaproximação entre os membros da família: desconectados, eles retomaram conexões mais importantes e que estavam esquecidas já há algum tempo.

Ela descreveu tal jornada no livro “O inverno da nossa desconexão”. Entre idas e vindas, concessões e resistências, o filho obcecado por games aprendeu a tocar saxofone, a filha mais nova melhorou suas notas na escola. E o diálogo, antes precário e repleto de arestas, tornou-se espontâneo e bem-vindo. Não se trata de rejeitar a tecnologia, mas de usá-la em nosso benefício, não o contrário. E não permitir que a conectividade nos leve a esquecer das conexões que realmente importam.

Publicidade

Quer receber notícias de Santa Cruz do Sul e região no seu celular? Entre no nosso novo canal do WhatsApp clicando aqui. Ainda não é assinante Gazeta? Clique aqui e faça agora!

Aviso de cookies

Nós utilizamos cookies e outras tecnologias semelhantes para melhorar sua experiência em nossos serviços, personalizar publicidade e recomendar conteúdos de seu interesse. Para saber mais, consulte a nossa Política de Privacidade.