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FALANDO EM DINHEIRO

Francisco Teloeken: “A falta de atitude pode prejudicar as finanças”

Foto: Freepik.com

A maioria dos brasileiros, sem perceber, comete alguns erros financeiros. Um deles, certamente, é não saber exatamente quanto paga de juros por mês, seja no cheque especial, em alguma conta atrasada, na rolagem da fatura do cartão de crédito ou em qualquer outra dívida. Sem planejar e simplesmente deixar acontecer, quatro erros que mais comprometem as finanças pessoais e familiares:

  • 1) Dia a dia sem planejamento: de acordo com pesquisa, 36% dos entrevistados somente anotam as maiores compras e 32% não anotam nenhum de seus gastos.
  • 2) Família, finanças à parte: 88% dos entrevistados na mesma pesquisas são casados e dizem conversar com seus parceiros sobre finanças, mas 71% consideram que a organização de orçamento da casa é centralizada em apenas uma pessoa. Além disso, nem todos da família tem a mesma preocupação com a situação financeira da família.
  • 3) Abrir mão da rentabilidade pela segurança: em função da familiaridade e segurança, as pessoas preferem deixar o dinheiro na poupança, mesmo com o menor retorno do investimento.
  • 4) Falta de educação financeira.

É claro que buscar o caminho mais fácil e fugir de responsabilidades, deixando acontecer, podem custar caro, já que impactam toda a vida de uma pessoa. À medida que o tempo vai passando, e parece que é cada vez mais rápido, muitas pessoas dão se conta de que é possível fazer diferente com as finanças pessoais e familiares. Como diz Henryn David Thoreau, “O tempo passa e a maioria das pessoas descobre que já viveu a vida que não queria”.

Quando alguém resolve fazer uma viagem é necessário gastar tempo e se dedicar a pesquisar vários detalhes, como destino, tipo de transporte, roteiro, reserva de hotéis etc. Afinal, o sucesso da viagem depende da qualidade desse planejamento, por mais simples que seja. Por que seria diferente com as finanças pessoais e familiares?

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De acordo com o empresário e investidor Danilo Ferraz, “a vida financeira exige tanta atenção quanto a saúde física. Mas, a maioria das pessoas não dedica o tempo necessário às finanças para tomar as melhores decisões. Com isso, atrasa em anos o seu progresso por conta de escolhas erradas – seja na má ou inexistente organização financeira, na falta de clareza das receitas e despesas ou mesmo de hábitos de consumo que impedem alguém de poupar e investir”.

A relação com as finanças nem sempre está em primeiro lugar nas prioridades das pessoas. Pode ser por falta de conhecimento sobre o assunto ou mesmo por procrastinação, a mania de deixar para depois que geralmente é o dia do “seu nunca”.

Esse é um modelo mental que engloba como a pessoa enxerga o mundo e a sua vida: as crenças, os pensamentos arraigados, tudo o que se aprende na educação familiar e nas experiências de vida. O modelo mental de cada pessoa não é necessariamente uma verdade; pode até ser para alguém porque foi criado e cresceu assim. Adotar uma nova mentalidade com relação dinheiro, mudando algumas pequenas atitudes, pode transformar a vida financeira das pessoas. A introdução de seis hábitos simples pode mudar a vida financeira das pessoas:

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  • 1) Entender a atual situação financeira: muitas vezes, o simples descontrole causa o aperto financeiro e até o endividamento. Por isso, o primeiro passo é fazer um diagnóstico da situação financeira: durante 30 a 60 dias, anotar todos os desembolsos efetuados, agrupando-os por tipo de despesa: habitação, alimentação, saúde, escola, transporte, lazer, etc.
  • 2) Listar todas as dívidas: nome do credor, valor atualizado de cada dívida, vencimento. Em seguida, definir um limite de quanto pode pagar, negociar e assumir a responsabilidade de pagamento dentro de suas possibilidades.
  • 3) Envolver a família no processo: todos precisam estar a par da situação e alinhados com as providências a serem tomadas.
  • 4) Cortar gastos: com base no diagnóstico e numa avaliação criteriosa, já é possível reduzir, substituir e até eliminar itens, sem prejuízo no padrão de vida. Gastos invisíveis desafiam o orçamento porque valores pequenos, quando repetidos frequentemente, geram um montante expressivo ao fim do mês.
  • 5) Planejar: ter uma visão clara da situação atual e do que vem pela frente é o primeiro passo para não perder o controle do dinheiro. O uso de planilhas facilita o acompanhamento ao longo dos meses. O mais importante, entretanto, não está na ferramenta, mas na mudança na forma de lidar com o dinheiro.
  • 6) Seguir o plano e começar a poupar: uma mudança simples que pode fazer toda a diferença é começar a poupar no início do mês, tão logo o salário, o prolabore, a renda ou qualquer outra receita cai na conta. Deixar para poupar quando sobra, geralmente não funciona porque sempre aparece alguma demanda. O ideal é, inicialmente, criar uma reserva financeira para imprevistos: pode ser uma despesa extra ou até para aproveitar uma oportunidade de negócio.

Por fim, a prática de instruções básicas, como as listadas neste artigo, pode ser o início para uma vida financeira saudável e alcançar a sustentabilidade. Quando o orçamento é limitado, a prioridade deve ser começar pelo que é simples e acessível. E fazer disso um hábito.

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