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fora de pauta

Não tenha medo

Cheguei aos primeiros três meses como repórter na Gazeta do Sul. Nesta incrível oportunidade de ter um texto publicado neste espaço, aproveito o momento para dizer, emocionada, muito obrigada! Na minha primeira reportagem publicada, realmente não acreditei. Quietinha, dentro da redação, sentada no meu novo local de trabalho, peguei a edição do jornal daquele dia, abri e lá estava o meu nome. Chorei sozinha, mas sabia que aquele choro carregava muita coisa.

Foram mais de dez anos até a tão esperada formatura de Jornalismo. Pouco dinheiro para pagar a faculdade, diversas mudanças de universidades procurando maneiras para não parar de estudar e tentando ajudar nas despesas da casa. Quando eu quase conseguia enxergar as luzes e o convite da tão sonhada colação de grau, engravidei.

Ao me tornar mãe, fui atravessada por uma vida que não era a minha. Precisei entregar tudo o que eu tinha e mais um pouco para manter meu filho com saúde, vivo, cheiroso e alimentado. Enquanto todo o meu tempo era consumido por essa entrega – como se eu vivesse em outro universo –, meus colegas se formavam.

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Foi preciso recomeçar. Por isso, essas palavras representam tanto para mim, principalmente por serem publicadas em um jornal impresso, para as leitoras e para os leitores da Gazeta do Sul. Eu sou uma jornalista com diploma que lutou, mesmo nos dias em que me faltavam forças, para exercer a profissão que tanto sonhei. Foi nessa jornada que entendi o verdadeiro sentido do que faço. Como escreveu Eliane Brum em O olho da rua: ‘A gente não entra na vida dos outros impunemente’.

Por isso, em cada reportagem, com cada pessoa entrevistada e nos textos que me dedico a escrever, me entrego por inteiro; não quero e não sei ser metade. Procuro sempre deixar o melhor de mim e somar, de alguma forma, à vida de quem divide comigo suas histórias. É isso que me mantém viva.

Para você que me lê agora e não quer desistir, escute o que minha mãe me falou em todas as inúmeras vezes em que eu achava que não era capaz ou que nada mais fazia sentido: não tenha medo. Palavra de mãe é oração.

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