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SONHOS QUE INSPIRAM

Juliana Boris Stramar escolheu o preto para celebrar o amor

Foto: Rafael Hanzen

Ao se casar vestida de preto, a fotógrafa Juliana Boris Stramar, de 44 anos, disse “sim” à sua liberdade de escolher. Embora nas aulas de História as imagens das noivas de preto nos livros lhe chamassem atenção, foi o seu processo de amadurecimento e a coragem de viver as próprias escolhas que materializaram esse sonho.

Não foi uma forma de protesto aos vestidos brancos tradicionais. Foi um gosto pessoal e, sobretudo, uma vontade compartilhada com o marido Pedro Rockenbach, de 44 anos, com quem divide a vida há 17 anos e meio.

Desde o início do relacionamento, aliás, os dois participaram de vários casamentos de amigos e tiveram as mais diversas experiências de comemorações. “Nossa primeira festa juntos foi um casamento, em Porto Alegre. Eu só conhecia a noiva, que era uma cliente minha. Ele não conhecia ninguém”, conta Juliana, que, sem qualquer pretensão, ainda pegou o buquê da noiva. “Foi totalmente sem querer. Estava voltando do banheiro e, quando me dei por conta, várias pessoas estavam vindo em minha direção e o buquê praticamente caiu em cima de mim.”

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E foi assim, enquanto amadureciam a própria relação, dando espaço para que cada um pudesse manifestar as suas vontades e assumir, de fato, a sua identidade, que seguiram frequentando diferentes ambientes e festas de casamento. Durante uma delas, em novembro de 2025, Juliana foi oficialmente pedida em casamento por Pedro e, juntos, começaram a idealizar a própria festa. “Nós já tínhamos participado de tantas outras que começamos a pensar em como fazer uma que tivesse o nosso estilo, que representasse tudo aquilo que gostamos, que fosse do nosso jeito”, lembra. Naquele momento, a ideia do vestido preto voltou a ganhar força.

Com o modelo em mente, Juliana saiu em busca de um ateliê para a confecção. “Lembro que cheguei no ateliê e a proprietária me disse que eu era a primeira noiva que pedia um vestido de noiva preto”, observa. O pedido marcou, naquele dia, o aniversário de 11 anos do ateliê, uma coincidência que daria ainda mais impulso para a criatividade.
Semanas depois, ao fazer a prova do vestido, confeccionado em cetim e detalhes em tule, Juliana se emocionou enquanto se via no espelho. “Fiquei orgulhosa do quanto tinha aprendido para me permitir viver as minhas escolhas. Talvez a Juliana mais jovem não tivesse a mesma coragem da Juliana de hoje. Decidi aproveitar o meu tempo da melhor forma e consegui priorizar as minhas vontades”, explica.

O vestido que emocionou a própria noiva também chamou atenção dos convidados do casamento, que aconteceu no último dia 15 de agosto, ao ar livre, no espaço Recanto da Figueira, em Vera Cruz. E, para deixar a festa ainda mais personalizada, foi servido costelão, o prato preferido de Juliana. Conscientes do quanto a vida faz sentido quando bem vivida, Juliana e Pedro são inspiração para a família, em especial os três filhos, e para os amigos e as pessoas próximas. Se tem algo que aprenderam e que hoje deixam como mensagem para que se viva com plenitude é que “cada um olhe para si e esqueça o julgamento ou a opinião alheia”.

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Na história

Por diversas razões, da Idade Média ao início do século 20, as noivas de origens germânicas casavam trajando vestido preto. Na época, somente o véu era branco, e em algumas ocasiões. Em Nova Petrópolis, na Serra gaúcha, por exemplo, o costume se estendeu até a década de 1930. A explicação para tal tradição, continuada depois da chegada de muitos imigrantes ao Brasil, era o baixo poder aquisitivo da família da noiva. Ela se casava de preto, porque assim o vestido poderia ser usado mais vezes, se comparado a um de cor clara.

Já na Europa, em particular na Pomerânia, o vestido preto era um sinal de luto e de protesto. Conta-se que no período medieval, quando um casal de servos se casava, a primeira noite da mulher era do senhor feudal e, como forma de protestar, ela se vestia de preto durante a celebração do matrimônio. Há, ainda, a justificativa de que o vestido preto simbolizava a morte social e a separação da noiva de sua família, já que ela é quem se deslocaria de sua rede de parentesco.

Foto: Denis Paul

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