Thais é a mais nova de quatro irmãos. Seus pais, Inácio e Veranicia, professores aposentados, são o alicerce e o apoio dela e dos irmãos. Principalmente, quando engravidou, aos 15 anos. Hoje, aos 37, ela é mãe, gerente de uma multinacional, filha e a mulher que conta a sua história para que outras tantas acreditem em si próprias.
“Vai dar certo, tem que dar certo”. Esse foi um dos pensamentos que levou Thais Dayane Mueller a perseverar e a confiar nos rumos que a vida lhe apresentava. Mas para chegar até onde chegou, precisou superar desafios, construir o próprio caminho e transformar as oportunidades que surgiam em possibilidades de crescimento.
A gravidez na adolescência foi um dos primeiros contratempos que enfrentou. Thais revela que sua vida profissional começou no momento em que descobriu que seria mãe. Ela precisou aprender a administrar as aulas do segundo ano do Ensino Médio com a responsabilidade de criar e educar a filha.
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“Foi nesse momento da minha vida que nasceu uma nova Thais. A partir dali, eu tinha uma pessoa que dependia de mim”, relembra. Com a ajuda dos pais e dos irmãos, ela conta que, devido à rede de apoio, conseguiu finalizar os estudos sem perder nenhum ano escolar.
Depois de vencer a fase estudantil, Thais buscou um emprego para sustentar a sua filha e começou a escrever a própria história profissional aos 17 anos. Na época, inscreveu-se em um curso profissionalizante e foi aprovada. Logo depois, veio o primeiro registro formal como estagiária na área de licitações e contratos públicos em uma empresa de Vera Cruz. Para surpresa dela, na mesma semana em que iniciou as aulas na faculdade de Administração.
“Acredito que tenho uma marca que carrego comigo, que é a de estar sempre disposta e querer mais”, relata. E foi essa vontade de desenvolver-se e abraçar as oportunidades que levou Thais para novos lugares, que a fizeram se tornar referência na produção agrícola, dentro e fora da empresa onde atua há 13 anos.
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Leitura como aliada
Thais é leitora assídua e vê a leitura e os estudos como aliados no desenvolvimento pessoal e aprimoramento profissional. Um dos livros indicados por ela é Um tipo diferente de poder: memórias de uma líder humanista, de Jacinda Ardern. Outra obra sugerida é Comece pelo porquê, de Simon Sinek.
Coragem e confiança
As lideranças femininas devem ter o propósito de criar mais espaços e ampliar a presença de mais mulheres em posições estratégicas. Thais acredita que, assim, as profissionais alcançarão visibilidade e destaque.
“Se estivermos dispostas, vamos ocupar o espaço que quisermos”, defende. A gerente regional de Produção Agrícola da BAT, primeira mulher a ocupar este cargo na história da fumageira e do setor, ressalta que demonstrar interesse e dedicar-se aos estudos são passos importantes para alcançar os objetivos. “Somos analisadas o tempo todo e nos cobram uma postura impecável, isso ainda vejo como desigual na sociedade. Por isso, precisamos ser corajosas”, completa.
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Além disso, Thais aconselha a não pular nenhuma etapa da carreira e a confiar no processo. Manter-se motivada e aberta à autodescoberta também pode impulsionar mulheres a avançarem em suas profissões.
A força das mulheres no campo
Desde o primeiro emprego, a carteira de trabalho de Thais já teve alterações de cargo mais de dez vezes; 12 apenas na atual empresa, a British American Tobacco, conhecida como BAT Brasil. Hoje, como gerente regional de Produção Agrícola, o time gerenciado pela administradora soma mais de 100 pessoas, entre diretos e sazonais.
Atualmente, morando em Mafra, em Santa Catarina, Thais é a primeira mulher a assumir a responsabilidade deste cargo. Ela tem o comprometimento diário de liderar equipes da regional norte. Ou seja, toda a produção de tabaco Virgínia dos estados de Santa Catarina e do Paraná atendidos pela BAT estão sob os cuidados da administradora.
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Mas a presença das mulheres no campo foi se fortalecendo aos poucos. Em 2017, lembra Thais, os homens eram maioria e existia apenas uma profissional do sexo feminino na área. Era quase imperceptível. Hoje, quase dez anos depois, o cenário mudou e 32 mulheres ocupam cargos em funções técnicas dentro da área de campo da multinacional.
Thais reflete que, após consolidar a carreira e amadurecer como mãe e mulher, percebeu que sua história impacta positivamente outras pessoas. “Não foi fácil e tudo o que conquistei foi com sacrifício, mas sou muito feliz por tudo o que construí.” Um dos sonhos de Thais é não ser mais a primeira mulher no cargo atual, mas apenas mais uma.
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