Caso Enzo 07/12/2018 01h58 Atualizado às 17h34

Preso, padrasto admite que bateu na cabeça da criança

Jonatas Gomes de Melo, de 32 anos, estava foragido e foi encontrado pela Brigada no fim da noite dessa quinta em Santa Cruz

Uma combinação de cocaína, bebida alcoólica e medicamento contra ansiedade teria sido a fórmula que levou Jonatas Gomes de Melo, de 32 anos, a espancar o enteado de 2 anos até a morte, na madrugada de quarta-feira em Encruzilhada do Sul. Pelo menos é o que ele alega. Padrasto do pequeno Enzo Gabriel Quintana Dilenburg, Melo foi preso às 22h20 dessa quinta-feira, 6, em Santa Cruz do Sul, sua cidade natal. Foi uma denúncia anônima que levou a Brigada Militar até uma casa situada na Rua Santiago, no Loteamento Beckenkamp, onde o procurado foi preso ainda usando calças sujas – o que sugere que esteve fugindo por matos.

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O suspeito estava desaparecido desde a madrugada do crime, na quarta-feira. Durante a tarde de ontem, a delegada Raquel Schneider revelou que já havia um mandado de prisão decretado contra Jonatas. Ao ver a chegada dos PMs na casa onde estava escondido, o acusado saiu sem reagir e se entregou. “Possivelmente ele já imaginava que não tardaria a ser preso”, avaliou o comandante do 23º Batalhão de Polícia Militar (BPM), tenente-coronel Giovani Paim Moresco. Conforme Moresco, a BM já suspeitava de que o foragido estaria em Santa Cruz e as guarnições permaneciam atentas à possibilidade de topar com ele. “Porém, nós o encontramos após denúncias. Foi um crime bárbaro, que revoltou a comunidade, o que levou as pessoas a colaborarem conosco.”

Após os exames de praxe no hospital, Jonatas Gomes de Melo foi levado até a Delegacia de Polícia de Pronto Atendimento (DPPA), para o depoimento. Conforme a delegada Raquel Schneider, ele admitiu as agressões, mas disse que não lembrava direito o que havia acontecido, tampouco soube dizer o motivo. “Ele afirmou que, na ocasião, já havia consumido álcool, cocaína e Rivotril. Disse que bateu na cabeça do enteado com as mãos, sem saber por que, alegando apenas que não queria matar a criança. Ainda investigamos se o acusado não usou algum instrumento no crime”, revelou a delegada.
 
Ainda segundo Raquel Schneider, ele disse que lembrava de ter acordado às 2 horas da madrugada de quarta. Nesse momento, as agressões teriam ocorrido. Na conversa com a polícia, Melo afirmou que o pequeno Enzo sequer chorou. Depois da violência, Melo voltou a dormir e acordou novamente às 5 horas para ir ao banheiro. Ao voltar para o quarto do casal, percebeu que Enzo, que estava em um berço, no mesmo cômodo, já tinha “o corpo frio”. Então, o padrasto teria acordado a mulher e fugido.

Foto: Acervo PessoalLaudo preliminar apontou que Enzo teve uma costela fraturada e sinais de possível esganadura, além de hematomas no corpo e rosto
Laudo preliminar apontou que Enzo teve uma costela fraturada e sinais de possível esganadura, além de hematomas no corpo e rosto

 

O acusado também negou ter agredido a vítima anteriormente. O depoimento do preso se estendeu pela madrugada desta sexta-feira. Depois, ele foi levado ao Presídio Regional de Santa Cruz e transferido na manhã desta sexta-feira para Encruzilhada do Sul.

Horas antes da captura de Melo, a mãe de Enzo, de 30 anos, foi ouvida novamente pela polícia. Segundo a delegada Raquel, ela manteve a versão inicial, contada quarta-feira, de que teria encontrado o menino desacordado no berço, pela manhã. A mulher também revelou novos detalhes sobre a relação do padrasto com a criança. “Ela contou que ele teria batido no menino uma vez, e que ela teria se colocado na frente do padrasto, apanhando também. Nessa ocasião, a mãe teria chegado a sair de casa, mas acabou retornando depois”, detalhou.

Ainda conforme a delegada, o Conselho Tutelar do município informou que esteve na residência da família há cerca de 30 dias, mas não encontrou nenhuma anormalidade. Um relatório completo sobre a visita deve ser entregue pelo órgão ainda hoje à equipe que investiga o caso. Até o momento, a polícia não tem nenhuma confirmação de que o irmão mais velho de Enzo também tenha sido agredido.

O menino, de 6 anos, deve ser ouvido nos próximos dias. Para ter validade legal, o depoimento será colhido com uma psicóloga. “Estamos procurando  uma especialista que possa ouvi-lo. Se não encontramos em Encruzilhada, vamos buscar fora”, afirmou Raquel.