O que diz a polícia 08/10/2019 22h38 Atualizado às 09h44

Assalto em Venâncio teve relação com ataque a bancos em Vale do Sol?

Dois crimes que amedrontaram o Vale do Rio Pardo entre a noite dessa segunda-feira e a madrugada de terça podem estar interligados

Dois crimes que amedrontaram o Vale do Rio Pardo entre a noite dessa segunda-feira, 7, e a madrugada de terça, 8, podem estar interligados, segundo a Brigada Militar. O caso mais recente aconteceu por volta das 3 horas da madrugada dessa terça, em Vale do Sol, onde uma quadrilha atacou duas agências bancárias e explodiu caixas eletrônicos. Ainda no início da noite anterior, dois criminosos roubaram um carro em Venâncio Aires, fizeram duas reféns e fugiram para Santa Cruz do Sul, onde acabaram presos pela Brigada Militar após perseguição e troca de tiros. Embora ainda não existam provas concretas, a BM não descarta a hipótese de conexão entre os fatos.

1: O roubo da Spin
Dois homens roubaram uma  Chevrolet Spin após render o proprietário do veículo, que chegava em casa, no Bairro União, em Venâncio Aires, no fim da tarde de segunda-feira, 7. A dupla fugiu levando a esposa e a filha da vítima como reféns. Ambas foram soltas em Linha Seival e passam bem. Os ladrões furaram barreiras policiais na RSC-287 e conseguiram chegar a Santa Cruz, onde a perseguição continuou. Eles tentaram fugir na direção do Centro e houve troca de tiros. Com a Spin roubada, a dupla ingressou na Rua Fernando Abott na contramão e foi presa em frente ao Hospital Santa Cruz. Um homem de 25 anos, de Boqueirão do Leão, e outro de 26, natural de Taquari, foram detidos. Com eles a BM apreendeu um colete balístico, dois revólveres calibre 38, munições, touca ninja, celular e uma aliança de ouro.

Foto: Divulgação


2: O ataque às agências

Com disparos e uso de explosivos, quatro ladrões atacaram a agência do Banco do Brasil de Vale do Sol na madrugada de terça. Segundo o delegado Marcelo Chiara Teixeira, também houve danos em caixas do Banrisul, mas os criminosos não tiveram acesso aos conteúdos. A ação do bando, que tentou posicionar os explosivos nos terminais, foi interrompida por uma cortina de fumaça acionada pelo sistema de segurança da agência. Já o sistema do Banco do Brasil manchou as notas roubadas de vermelho. No local, os bandidos efetuaram disparos de calibres 12 e 9 milímetros, deixando cerca de 15 cápsulas deflagradas. “Na fuga, eles incendiaram um carro furtado no domingo, em Santa Cruz”, disse o delegado. O carro, levado do estacionamento da Havan, foi abandonado e incendiado a dois quilômetros do Centro de Vale do Sol.
 

Foto: Rafael Cunha/Rádio Gazeta


3: A prisão de um suspeito

Por volta das 8h30, a Brigada Militar capturou um homem em Linha Rio Pardense, no interior de Vale do Sol, suspeito de ter participado do ataque aos bancos. Ele teria tentado fugir de uma barreira próximo à RSC-287 e resistiu à prisão. No carro que ele conduzia, um Vectra bordô, também havia manchas vermelhas, compatíveis com a tinta expelida pelos caixas eletrônicos. A BM acionou o Instituto Geral de Perícias, que examinou o veículo. Já o suspeito foi levado para a delegacia de Santa Cruz do Sul por volta do meio-dia.

Conforme o delegado Marcelo Chiara Teixeira, a Polícia Civil só ficou sabendo da prisão no fim da manhã. “A perícia precisa ser acionada pela Civil, mas essa etapa foi pulada”, comentou. Segundo ele, o preso chegou à delegacia com escoriações pelo corpo, hematomas no olho e se queixando de dor. Devido aos ferimentos, conforme o delegado, ele precisou ser encaminhado ao hospital antes de prestar depoimento. O homem afirma que teria apanhado de PMs.

O comandante do 23º Batalhão de Polícia Militar, tenente-coronel Giovani Paim Moresco, afirmou que a prioridade da BM é capturar os assaltantes. “A Brigada está preocupada em prestar serviço à comunidade e capturar esses elementos que foram lá e explodiram uma agência bancária. O contraponto que a Brigada tem que dar é que nós fomos lá para salvar a comunidade. O preso pode falar o que ele quiser.” Ainda segundo Moresco, a BM teria apenas “informado” o IGP, e não acionado. Já os ferimentos do preso, segundo ele, poderiam ter sido causados por galhos, já que o homem tentou fugir por um matagal. Quanto à demora para apresentar o suspeito na delegacia, disse se tratar de uma questão logística. “Em uma operação dessa envergadura, não podemos parar tudo para nos deslocarmos para a lavratura do flagrante. Isso está dentro da previsão legal.”

Segundo o delegado Chiara, houve registro de ocorrência e o homem foi liberado. A suposta participação dele no crime será investigada durante o inquérito.
 

Foto: Divulgação


4: As suspeitas da Brigada

Para o delegado Marcelo Chiara Teixeira, ainda é cedo para fazer afirmações ou descartar possibilidades sobre a ligação entre o roubo da Spin e o assalto à agência. “A investigação está em fase inicial, então não podemos descartar essa possibilidades. Mas não há elementos que apontem claramente para isso”, comentou. O caso agora ficará a cargo da Delegacia de Roubos do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) de Porto Alegre. “Nós apenas atendemos a ocorrência. Pelas câmeras de segurança conseguimos identificar quatro suspeitos, mas acreditamos que haveria um quinto indivíduo esperando pelo bando no momento da fuga. O carro usado no primeiro momento foi furtado em Santa Cruz, mas o furto aconteceu próximo a uma rodovia, então poderia ser alguém de fora. Tudo isso agora será apurado pelo Deic.”

A proximidade entre os municípios e a forma de atuação dos criminosos, no entanto, levam a Brigada Militar a trabalhar com a hipótese de que os criminosos sejam pessoas conhecidas na região. Segundo o tenente-coronel Giovani Paim Moresco, o bando seria de Santa Cruz do Sul e municípios próximos. “Estamos trabalhando nessa linha operacional, apertando cada vez mais o cerco no intuito de encontrar e dar uma resposta para a comunidade”, salientou.

Conforme Moresco, os criminosos da Região Metropolitana costumam usar fuzis, mas o bando dessa terça-feira tinha pistolas 9 milímetros e escopetas calibre 12. “São armas que se consegue em qualquer lugar. O criminoso que vem de fora precisa percorrer um terreno muito maior para voltar para casa, por isso usa um poder de fogo maior e também consegue mais facilmente armamentos como fuzis. Além disso, eles conheciam muito bem cada estradinha do  nosso interior, e não só aquelas ruas principais”, detalhou.

5: As buscas
A Brigada Militar seguia nas buscas no fim da tarde de ontem, sem hora para encerrar o cerco montado desde a madrugada em diversos municípios da região. O tenente-coronel Giovani Paim Moresco pediu auxílio da população, para que entrem em contato com a Brigada caso percebam qualquer movimentação estranha. Moresco também acredita que o grupo possa tentar repassar as cédulas manchadas – como as da foto ao lado –, que são fruto do roubo. “Se receber uma cédula com uma pigmentação vermelha, ligue imediatamente para o 190, com segurança, é claro, esperando a pessoa sair do estabelecimento”, orientou.

Os moradores de Vale do Sol seguiam assustados na manhã de ontem, após acordarem com o barulho das explosões. “Foi terrível, assustador. Foi um estrondo que parece que balançou toda a cidade”, disse uma mulher que preferiu não se identificar. Outro vizinho disse que acordou com o barulho de quatro explosões, além dos tiros.

Foto: Divulgação

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