Saúde 14/03/2019 00h51 Atualizado às 07h35

Espera por clínico geral leva até 70 dias em postos de Santa Cruz

Motivos alegados para demora nos atendimentos seriam a falta de médicos nas unidades e a ausência de pacientes

Pacientes que precisam de atendimento de clínico geral em postos de Santa Cruz do Sul esperam até quase 70 dias até a consulta. O problema estaria acontecendo devido à falta de médicos em unidades básicas de saúde e às abstenções de quem já agendou horário. Apenas nas últimas duas semanas, oito médicos se demitiram, fora a redução por causa do período de férias dos profissionais, que geralmente ocorre em janeiro e fevereiro. A Prefeitura garante que já trabalha para solucionar essas questões.

De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde, a demora maior é verificada no posto do Cristal Harmonia, onde as consultas com clínico geral são marcadas somente a partir de 21 de maio. As outras unidades que também fazem agendamentos só para daqui a dois meses são as do Glória Imigrante, Progresso e Viver Bem. A demora chegou a ser citada pelo vereador Francisco Carlos Smidt (PTB) na última sessão da Câmara, nessa segunda-feira.

No entanto, o secretário municipal de Saúde, Régis de Oliveira Júnior, esclarece que outros postos, como de Alto Paredão, Monte Verde, Pedro Eggler e Margarida, conseguem agendar na mesma semana em que o pedido é feito. O município conta com 29 unidades de saúde e cada uma teria um perfil de atendimento e demanda.

Segundo Oliveira, os postos com mais problemas têm um volume significativo de pacientes. Outra questão que também impacta no agendamento, conforme ele, são as ausências dos pacientes em consultas já marcadas. “Até mesmo pela demora, o paciente apresenta melhora, mas não avisa e deixa de ir à consulta”, explica. Com isso, as marcações para novos usuários acabam demorando mais do que realmente seria necessário, já que os horários ficam fechados. Entre janeiro e dezembro do ano passado, as unidades de saúde registraram 243,7 mil atendimentos e 31,8 mil ausências.

Prefeitura adota estratégias para resolver o problema

O secretário de Saúde afirma que diversas estratégias estão sendo adotadas para reduzir o tempo de espera por consultas. Uma delas é o processo seletivo aberto no começo do mês para contratações emergenciais de médicos, os quais devem substituir parte dos que pediram demissão nos últimos 15 dias. Dos oito que se desligaram do quadro da Prefeitura, dois são do programa Mais Médicos e as vagas dependem do Ministério da Saúde para preenchimento. Outros seis serão substituídos por meio da contratação emergencial.

Régis Oliveira adianta que, a partir de abril, pacientes de todas as unidades serão informados via SMS sobre a consulta marcada. Ele explica que o aviso por mensagens foi adotado como teste no posto Pedro Eggler e teria resolvido boa parte das abstenções. “Em uma pesquisa, constatamos que as ausências ocorrem por melhora do paciente, busca de plantão ou esquecimento da data agendada.”

A Secretaria de Saúde já criou, e está testando, um aplicativo chamado Saúde na Palma da Mão, para facilitar o contato do paciente e reduzir as abstenções. A pasta ainda estuda, por meio da Coordenação de Atenção Básica, instituir o número mínimo de atendimentos por turno, para cada médico, a fim de reduzir a espera por consultas e dar mais qualidade ao serviço.

Portas Abertas

Anunciado recentemente pela Secretaria Municipal de Saúde, o projeto Portas Abertas é outra aposta para evitar as abstenções e diminuir o número de agendamentos nos postos. A proposta terá início na segunda quinzena de abril e consiste na abertura de postos de saúde em horários diferenciados. Os serviços disponibilizados com a iniciativa serão os mesmos já oferecidos no dia a dia das unidades de saúde.

O Portas Abertas será oferecido na Estratégia Saúde da Família (ESF) Arroio Grande, com abertura até as 21 horas; na ESF Cristal Harmonia, que vai funcionar ao meio-dia; e na ESF Faxinal Figueira, que vai abrir também aos sábados pela manhã, até as 13 horas. Para ser atendido, não será preciso agendar: todo usuário que chegar na unidade será acolhido e encaminhado ao profissional médico. A Câmara de Vereadores já aprovou a contratação de mais profissionais para viabilizar o projeto. Conforme a Secretaria de Saúde, o investimento anual na primeira fase é de R$ 400 mil, com recursos próprios da Prefeitura.