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GILBERTO JASPER

Brasil, o país das leis

O Brasil é mesmo um caso sério.

Aqui, primeiro as novidades ganham o cotidiano para, somente depois, serem regulamentadas através de leis e outros dispositivos legais.

Vejam o caso dos modernos veículos que transitam por nossas ruas. Patinetes e pequenas motos elétricas se multiplicam na paisagem não apenas das grandes cidades, mas, inclusive, em comunidades de pouca densidade habitacional também no Litoral.

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Em Porto Alegre, onde resido, esses veículos se misturam aos pedestres e ciclistas, transformando a mobilidade urbana em um caos sem qualquer tipo de regulamentação. Praças e parques, que recebem grande afluência de público aos finais de semana, com frequência registram acidentes, alguns com gravidade.

Sábado, 1º, e domingo, 2, estive em Capão da Canoa. O panorama visto nas duas faixas da ciclovia, localizada junto ao calçadão à beira-mar, é o resumo da baderna instalada.

Naquele estreito espaço podiam ser vistos caminhantes com seus pets, além de atletas de final de semana, misturados às bicicletas, patinetes, motos convencionais e motocicletas elétricas. “Tudo junto e misturado”, como a galera gosta de resumir quando o ambiente é de bagunça.

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Leio e ouço posicionamentos que asseguram existir legislação que regulamenta o emprego e circulação de patinetes e motos elétricas. Mas como diz o prefeito de Porto Alegre, Sebastião Melo, “se o Brasil dependesse de leis, seria uma verdadeira Suíça”. Falta fiscalização, boa vontade e rigor por parte das autoridades responsáveis pelo controle do fluxo urbano.

As pequenas motos, silenciosas e modernas, com frequência têm sua potência adulterada por especialistas em mecânica. O resultado é o aumento de velocidade, ampliando os riscos de acidentes com gravidade. A lei proíbe, mas o jeitinho contorna e dribla as determinações legais.

Fenômeno semelhante ocorreu com a proibição do uso de telefone celular dentro das salas de aula. Só depois que o vício se transformou em tormento permanente para pais e professores é que houve um levante nacional para coibir o abuso. Os resultados, garantem os docentes, não poderiam ser melhores. Uma pena que a conscientização geral comprometeu tantos anos de estorvo na sala de aula.

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Como citei acima, a proliferação de instrumentos legais é gigantesca em nosso país. Somente em termos de leis ordinárias federais, o Brasil já ultrapassou a marca de 15 mil normas numeradas. Se contarmos todas as leis estaduais e municipais, decretos e regras criadas pelos mais de 5.500 municípios, estudos de órgãos de planejamento estimam que o total de normas jurídicas supere a casa dos milhões.

Resumo da ópera: o grande problema da terra descoberta por Pedro Álvares Cabral, em 1500, não é a falta de leis. Mas é a falta de educação. Povo educado não precisa de dispositivos coercitivos. Necessita de consciência coletiva.

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