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BRIEFWECHSEL | CORRESPONDÊNCIA

O óbvio é às vezes invisível

Querido Rafi,

Não que eu queira me gabar, mas que eu cantei algumas pedras que estão acontecendo, eu cantei. Claro, vais dizer, era óbvio. Mas o óbvio é às vezes invisível. E tem tanto barulho dos “especialistas” em geopolítica ultimamente, que é mesmo difícil de perceber o que acontece de verdade. Quando eu quero saber mais a fundo sobre um assunto, eu me pauto por uma abordagem, que é de entender os conceitos – e isso só se consegue lendo bons livros, e não em podcasts – e conversando com pessoas diretamente ligadas ao tema sobre o qual quero saber. Já fui muito criticado por causa deste método, mas enfim… é apenas um método.

O AfD ganhou em Sachsen-Anhalt. Como vão fazer para governar, são outros quinhentos. E os drones do sr. Wladimir chegaram à Alemanha, bem antes do que eu imaginei e de uma forma diferente. Com isso, recebeste munição para mais desculpas para não vir para cá, rever pessoalmente teu velho irmão. Agora, vieste com essa de “assim que mais uma questão for resolvida com os russos, o que pode demorar, irei para aí, mas aí serei Inverno, talvez Outono”. Não foram nessas palavras, mas foi esta a mensagem. Mein Gott…

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Não te preocupes, o conflito na Europa já começou, e tem até um nome moderno: a guerra híbrida. Nada de novo, é apenas a velha guerra fria requentada em uma panela com muita tecnologia… Aliás, nem isso é novidade, pois nos conflitos das décadas anteriores a tecnologia de ponta do momento sempre esteve presente. E outra: na guerra européia moderna, a vida segue seu curso, em meio a sabotagens, drones de ataque e invasões hacker.

Portanto, estás desde já convocado! Vamos tomar cerveja, comer Bratwurst e Schnitzel e ir no Aldi olhar bugigangas interessantes que jamais vamos querer comprar… e azar que haja racionamento de papel higiênico por causa da guerra (não sei se sabes, mas este é o produto que primeiro some das prateleiras dos mercados em casos de crise ou ameaça de crise. Há uma explicação técnica para este fenômeno social e não é o que estás pensando).

Foto: Arquivo pessoal/Divulgação

Estive em Baden-Baden semana passada, passeando e revendo amigos e cenários. Bem sabes que vivemos eu e minha família oito belíssimos anos naquela maravilhosa cidade que foi cenário do livro Der Spieler, do Dostojewski. Lembras também, claro, que nos visitaste lá, em 2018. Aquela nossa caminhada, longa, iniciando pelo Castelo Antigo (Altes Schloss), seguindo pelas falésias que costeiam a cidade, em direção à Floresta Negra, terminando algumas horas depois no bairro de Lichtental, no mosteiro (Kloster), onde rezamos na capela para agradecer por aquela dádiva… de podermos nos reunir, caminhar juntos, conversar e às vezes apenas ficar em silêncio. Aquela jornada nos valeu demais, tenho certeza de que também tens saudades.

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O momento chegou, Rafi. Devemos nos reunir. E desta vez, a nossa irmã Milène tem que vir junto. A gente aluga bicicletas e pé na estrada! Como ela é atleta, teremos que nos esforçar para acompanhá-la. Mas a gente escolhe um caminho bonito, para que a Mila queira parar a todo momento para tirar fotos… enquanto a gente recupera o fôlego!

Abração und bis nächste Woche!

– Armando

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