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FORA DE PAUTA

A era do enquadramento

Imagine um quadro em branco com uma bonita moldura. Sua missão é expressar uma opinião nessa tela (pode ser política, ideológica, social, religiosa, futebolística, entre outros), através de palavras, fotos ou desenhos. No entanto, como o espaço é limitado, você terá que escolher as informações que estarão na tela e abrir mão de outras. É uma escolha sua. O que será ou não enquadrado é responsabilidade do autor: você. Sua escolha será exposta e vai influenciar na informação que o público vai receber.

Essa proposta é parte de uma reflexão escrita pelo antropólogo e epistemólogo da comunicação Gregory Bateson, na obra Steps to an ecology of mind, de 1955. Em tradução livre, “Passos para uma ecologia da mente”. No capítulo “Uma teoria sobre fantasia e brincadeira”, ele reflete sobre o framing (enquadramento, em português). O autor expressa que se trata de conceitos psicológicos. O objetivo é explicar como os indivíduos organizam a experiência social e como a mídia constrói e apresenta a realidade.

Em 2026, substituímos o quadro com moldura pelos espaços destinados às publicações em redes sociais. A limitação é parte da mensagem para ordenar (ou influenciar) a percepção do observador. A escolha das imagens, a posição dos objetos e cores também exercem função no contexto. Ou seja: “veja apenas o que está aqui dentro, e não aquilo que não aparece” – ou que o autor decidiu que não deveria ser exposto. Essa omissão é o combustível para a geração de comentários.

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Estudei a Teoria do Enquadramento para meu trabalho de conclusão de curso na universidade. É um tema interessante e abordei brevemente aqui. Percebi que não é preciso grande esforço para se deparar com esse tipo de publicação nas redes sociais, especialmente em ano eleitoral. A estratégia é exatamente essa: enquadrar cuidadosamente o que será exibido, e deixar de fora o que não é para ser visto.

O ponto de equilíbrio deveria ser o fator humano. “Deveria”, no passado. Isso porque há tantas e rápidas ferramentas de pesquisa para investigarmos publicações, mas ao mesmo tempo parece não termos. As pessoas não as utilizam. Dá trabalho. Precisa tempo. Tempo que as vezes não temos. Então é mais cômodo e fácil validar como verdade a publicação de uma pessoa, sob o argumento de que “ela é séria e inteligente”. E esquece que, justamente, são pessoas muito inteligentes que estão por trás das estratégias comunicacionais para que você veja e leia apenas aquilo que interessa a ela. Pense nisso ao abrir as redes sociais hoje.

 

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