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JOSÉ ALBERTO WENZEL

Por uma novíssima síntese

De tempos em tempos têm surgido sínteses que procuram compreender e dar sentido à existência humana. As sínteses costumam apresentar de forma sequencial, sucinta, coesa e unitiva os elementos e acontecimentos originários e atuais na perspectiva de um possível futuro.
Se algumas dessas formulações seguem modelagens comedidas, outras se detêm em rebuscada pesquisa interpretativa de ousada abrangência. Quem intentou uma megassíntese foi Pierre Teilhard de Chardin, um jesuíta francês de brilhante carreira científica, bem ao estilo dos grandes pensadores que se debruçam sobre o conhecimento e, mais do que isso, o buscam com insistência ao longo de suas vidas.

Chardin (1881-1955) não se limitou à descrição do processo evolutivo a partir dos fósseis e da geologia, nem se restringiu ao seu interesse pela antropologia, mesmo tendo se aprofundado nesses temas. O que ele pretendia era encontrar o sentido da vida em constante evolução, inclusive da consciência, no contexto da “Noosfera”, a camada pensante. Sua caminhada não foi fácil. Foi duramente incompreendido, censurado e tentativas de afastá-lo das publicações não faltaram, o que não o impediu de seguir em frente, a ponto de revolucionar conceitos que eram comuns à época.

Pierre, por exemplo, ousou concluir, após prolongados estudos em terras asiáticas, que a China não se constitui simplesmente de rochas graníticas pré-existentes, mas que o processo de granitização prossegue dinamicamente. Evidencia-se que para Chardin tudo está em gênese (Geogênese, Biogênese, Psicogênese) convergente para o “Ponto Ômega”. Sua visão expandida lhe permitiu entender, como poucos, a continuada Cosmogênese, enquanto processo de Ortogênese em permanente e complexificante acrescentar-se aditivamente.

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Mas, por que estamos falando de sínteses? Porque urgimos por uma novíssima compreensão coexistencial que nos permita furar a bolha do Antropoceno. Urgência movida pela premência climática num cenário de sombrias, para não dizer, nefastas perspectivas, até porque atingimos um aparente poderio sobre a natureza a tal ponto que artificializamos, desastrosamente, nossas conexões com o ambiente natural.

A novíssima síntese deverá se valer de uma “visão de mundo” não antropocêntrica e de uma metodologia multilateral não fragmentária que nos habilite à sensível compreensão do fluxo em devir interativo de ressonante registro multiversal, num processo que congregue afeto, ciência, intuição, razão, psiquismo, curiosidade, incertezas, probabilidades, receios, vulnerabilidades, fortalezas, conexões, interseções, pertencimento, informação, consistência, comunicação e, sobretudo, a vivência “com” a natureza para além do exercício “sobre” a natureza e para bem além da compreensão usual da morte.

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