Santa Cruz 06/07/2017 15h49 Atualizado às 11h41

Vida Real | A dona Zita da Floriano

Santa-cruzense dedica quase duas décadas de trabalho fazendo lanches para vender de porta em porta

Foto: Bruno Pedry

Antes de a neta nascer, vó Clara já propagava na família que, se fosse menina, se chamaria Zita. A influência das pessoas de mais idade nas decisões, no passado, eram determinantes e fielmente respeitadas. No caso de vó Clara não era diferente. O que ela dizia geralmente era tido como sagrado, em tom de profecia e de lei. Certa vez, lá pelos anos 50, em uma de suas leituras religiosas, a Clara devota descobriu que, no século XI havia uma empregada doméstica de nome Zita, que foi trabalhar em um castelo. 

Contava-se que, defensora dos pobres, todos os dias Zita escondia em um avental as sobras de comida e as levava aos necessitados. Em uma ocasião, o patrão, de família nobre e desconfiado, quis verificar o que ela escondia. Ao abrir o jaleco da empregada, os alimentos que trazia transformaram-se em rosas. Essa história era sempre contada por Clara. E a neta, Zita, hoje com 55 anos, relembra todos os causos e anedotas contados pela avó.

Dedicação

Zita Maria Frey nasceu em Linha Harmonia da Costa, interior de Venâncio Aires. Foi naquela localidade que passou sua infância, convivendo com vó Clara. A mãe, Selma, aos 87 anos, ainda vive lá.  As lembranças de Zita, filha do meio de 11 irmãos, ainda são muito presentes. Desde o trabalho na lavoura, as tarefas domésticas, os quilômetros de estrada para ir à escola, a missa obrigatória nos domingos pela manhã. O pai, João Wilibaldo, era o ministro da palavra. 

Foi nesse ambiente que ela aprendeu que a dedicação ao trabalho e a união na família eram os valores mais importantes. Morando em Santa Cruz do Sul há quase duas décadas, Zita veio para cá para recomeçar sua vida. Por gostar de cozinhar, assim como aprendeu com a avó a preparar roscas e pão sovado no forno à lenha, escolheu fazer doces e salgados para vender de porta em porta. E está nessa atividade há dezessete anos. Nos primeiros tempos, bolos, pizzas, pastéis e enroladinhos de salsicha eram levados em um isopor, com uma alça no ombro. 

A rotina era acordar todos os dias às cinco da manhã, e preparar os lanches para vendê-los à tarde. Agora, com um carrinho de mão e com uma grande variedade de doces e salgados, atende seus clientes da Rua Marechal Floriano com a mesma disposição de quando iniciou. E todos a chamam, simplesmente, de Zita, para a alegria de vovó Clara.