Atenção 22/04/2019 11h17 Atualizado às 14h42

Pesquisa encontra resíduos de agrotóxicos na água de Santa Cruz e região

O levantamento foi feito entre 2014 e 2017; contaminação causaria diversas doenças

O Mapa da Toxicidade da Água, feito pelo Ministério da Saúde em parceria com a Repórter Brasil, a Agência Pública e Public Eye, traz preocupação para moradores de vários municípios da região. Os dados divulgados revelam que a água que chega a moradores de Santa Cruz do Sul, Candelária, Vera Cruz, Venâncio Aires, Encruzilhada do Sul e outros municípios do Vale do Rio Pardo tem resíduos de agrotóxicos.

Em Santa Cruz do Sul, dos 13 agrotóxicos encontrados na água, cinco são associados a doenças crônicas como câncer, defeitos congênitos e distúrbios. O levantamento foi feito entre 2014 e 2017. Nesse período, foram encontrados 27 tipos de agrotóxicos na água de uma a quatro cidades brasileiras. A contaminação subiu de 75% dos testes para 92%, de acordo com o Sistema de Informação de Vigilância da Qualidade da Água para Consumo Humano (Sisagua). Onze tipos de pesticidas são associados a doenças crônicas como câncer, má formação fetal, disfunções hormonais e reprodutivas.

Foto: Reprodução

 

O professor da Escola Família Agrícola de Santa Cruz do Sul (Efasc), coordenador do curso de Bacharelado em Agroecologia e membro do Arranjo Produtivo Local, João Paulo Reis Costa, explica sobre os agrotóxicos encontrados nos municípios da região. “Em Candelária foram encontrados 12 tipos de agrotóxicos e quatro são associados a doenças crônicas. Já em Venâncio, dos 21, oito são vinculados a doenças. Em Encruzilhada foi encontrado um. Já em Vera Cruz, foram 27. O município chegou no mesmo nível de São Paulo, que tem o maior índice de água contaminada do País”.

O Ministério da Saúde salientou que os dados não estão consolidados e que, portanto, não é possível, no momento, fazer avaliação sobre a situação da qualidade da água. A nota do ministério diz ainda que a exposição aos agrotóxicos é um problema de saúde pública e cada situação deve ser analisada individualmente à luz do histórico de dados e dos valores de referência da legislação. 

 

O que diz o Serviço Municipal de Água e Esgoto - Semae de Vera Cruz
Os dados divulgados a partir da pesquisa foram vistos com surpresa pelo secretário de Obras, Saneamento e Trânsito de Vera Cruz, Gilson Becker. Segundo ele, todas as análises exigidas pela portaria de consolidação 5/2017, do Ministério da Saúde, e Portaria 320/2014, da Secretaria da Saúde, estão em dia e não apresentam contaminação de agrotóxicos. "São analisadas amostras tanto de água bruta, quanto de água tratada. Todos os resultados estão à disposição da comunidade", explicou.

Em Vera Cruz, o abastecimento é de responsabilidade do Serviço Municipal de Água e Esgoto - Semae. Becker, que também coordena a Estação de Tratamento de Água (ETA), afirma ainda que está tranquilo em relação à qualidade da água de Vera Cruz e ressalta que a Prefeitura também possui um programa de proteção de nascentes, que estimula a redução do uso de agrotóxicos. "A água de Vera Cruz sempre foi referência. Essa polêmica toda partiu de uma pressão federal sobre o uso de agrotóxicos", complementou.


O que diz a Corsan
A Companhia Riograndense de Saneamento (Corsan) informa que a água distribuída à população nos 317 municípios gaúchos atende rigorosamente a legislação brasileira que determina os parâmetros de potabilidade da água para os sistemas de abastecimento. E que também são monitorados outros 46 tipos em atendimento à legislação estadual (Portaria 320/2014 da Secretaria da Saúde).

A Corsan ressalta que os dados utilizados na pesquisa apresentada foram retirados do Sisagua e referem-se a amostras de água bruta (ainda não tratada). A empresa informa que, ao ser detectado algum agrotóxico na água bruta, é realizada a análise da água tratada correspondente, não havendo histórico de presença desse agente após o tratamento.

A Corsan e a Associação das Empresas Estaduais de Saneamento (Aesbe) estão pedindo esclarecimentos ao Ministério da Saúde sobre os valores disponibilizados com relação à presença de agrotóxicos na água usada para consumo humano. "A fim de não ocorrer interpretação equivocada", diz a nota.