Emoção 21/06/2018 07h20 Atualizado às 20h03

Brigadiana salva bebê de 24 dias pelo telefone em Rio Pardo

A soldado Rutiane Barros auxiliou o pai do pequeno Alisson a desengasgar a criança

O momento de desespero de um pai se tornou uma bela história de salvamento em Rio Pardo quando uma brigadiana orientou a família para salvar um bebê que havia se engasgado. A heroína da história se chama Rutiane Machado Barros, de 32 anos. Numa ligação de apenas 10 minutos, a soldado e os pais aflitos estiveram unidos pelo aparelho colado ao ouvido.

Na noite dessa quarta-feira, 20, o número 190 da Sala de Operações da Brigada Militar recebeu a ligação de um homem por volta das 19h45. O pai de um bebê de apenas 24 dias estava em desespero ao perceber que a criança havia se engasgado e não conseguia respirar. Morador do interior, no distrito de João Rodrigues, ele não conseguiria levar o filho até o hospital a tempo. Distante cerca de 27 quilômetros do local, a família levaria quase 40 minutos de carro até o atendimento.

Operadora da sala no momento em que o telefone tocou, a soldado passou as primeiras orientações à familia de como desengasgar o pequeno Alisson. "O pai e a mãe estavam muito aflitos, nervosos com a situação e gritando", relata. Após seguir os comandos de Rutiane, o casal conseguiu fazer com que o bebê expelisse um líquido pela boca e conseguisse respirar novamente, porém, com dificuldade. Segundo a brigadiana, a causa mais provável do engasgo é o refluxo, normal em recém-nascidos. O procedimento inclui virar o bebê de bruços sobre a mão e fazer pequenas compressões nas costas. 

Enquanto isso, a PM já alertou os colegas que estavam na rua para encontrar a família a caminho do hospital.  "Fiquei bem aflita também porque a gente que está no outro lado gostaria de poder tocar e olhar, mas eu só tinha como passar por telefone mesmo. Terminou tudo bem, graças a Deus."

Assim que Alisson voltou a respirar a família o levou ao Hospital Regional do Vale do Rio Pardo. Rutiane avisou a equipe médica e aguardou com apreensão no quartel. "Depois que eu desliguei o telefone e fiquei esperando a chegada deles no hospital, ficou aquele silêncio. Pensei que eu tenho um filho e pode acontecer isso com ele também."

Uma viatura da BM aguardava a família na entrada da cidade para servir de batedor, liberando o trânsito para que todos pudessem fazer o trajeto rapidamente. Após ser atendido na emergência da casa de saúde e passar por exames, o pequeno foi liberado.

A família foi ao 2º Batalhão de Polícia Militar (BPM) para agradecer à soldado Rutiane e permitir que ela conhecesse Alisson. "Foi bem rápido, mas eu dei um colinho pra ele. Eu queria ver a criança e saber que estava bem", conta. Além da emoção de conhecer o bebê, Rutiane define o trabalho como gratificante. "Nosso serviço é esse, não só manter a ordem, mas também salvar vidas. Hoje eu me sinto com dever cumprido, vou pra casa satisfeita."  

Duas vidas salvas

Mãe de Leônidas, de 5 anos, Rutiane é policial militar desde 2009 e essa foi a primeira vez que auxiliou no salvamento de um bebê. Um mês atrás, havia salvado uma vida pela primeira vez. Durante um almoço de domingo, um idoso que era alimentado pela filha com uma sopa acabou se engasgando. Rutiane auxiliou a mulher a desengasgar o pai e, desde então, guarda junto com a planilha de serviço as orientações de salvamento. Não sabia na data que apenas alguns dias depois, ter essas informações à mão seria tão essencial.