São José das Missões 04/01/2019 08h12 Atualizado às 10h23

Contaminação por agrotóxico mata cerca de 12 milhões de abelhas

Seis famílias de apicultores tiveram perda total das colmeias no dia 31 de dezembro

Uma contaminação por uso indevido de agrotóxico matou cerca de 12 milhões de abelhas no Norte do Rio Grande do Sul. O caso foi na virada do ano no município de São José das Missões. Na localidade de Linha Progresso, cerca de 200 colmeias foram dizimadas e seis famílias de apicultores tiveram perda total da principal fonte de renda.

De acordo com informações do Grupo de Polícia Ambiental da Brigada Militar (Patram) de Frederico Westphalen, uma guarnição visitou as propriedades nessa quinta-feira, 3. A morte dos insetos teria sido causa pelo uso de um inseticida chamado Mustang 350 CE a base de Fipronil em uma lavoura de soja da região. A aplicação do inseticida foi realizada na última semana do ano e as abelhas começaram a morrer nos dias 30 e 31 de dezembro. O produto é usado para controlar o tamanduá-da-soja, inseto conhecido como 'raspador'. 

Foto: Polícia Ambiental

 

O Fipronil teve o uso reavaliado pelo Ibama em 2012 após ser associado com a morte de abelhas junto com outras três substâncias: Imidacloprido, Tiametoxan e Clorianidina. Apesar de ser proibido em alguns países, o produto pode ser usado no Brasil, se aplicado sozinho. No caso de São José das Missões, ele foi usado no mesmo tanque de pulverização com o herbicida glifosato, usado para a dessecação de plantas daninhas. O uso combinado dos produtos para economizar na aplicação é proibido pela legislação.

Conforme o Patram, o produto deveria ter sido utilizado antes da floração do nabo, mas segundo o acusado, na época não havia umidade suficiente no solo. Ainda, segundo ele, o ato não foi intencional, pois no momento não tinha conhecimento, tampouco foi orientado pelo técnico agrícola que tal inseticida poderia atingir outras espécies. A estimativa é que a morte das abelhas tenha sido total em raio de seis quilômetros do local de aplicação.

A Polícia Ambiental visitou as propriedades dos apicultores e realizou levantamento fotográfico. O responsável pela aplicação do inseticida também foi visitado e apresentou a nota fiscal e o receituário do produto. No local não foi encontrado nenhum tipo de agrotóxico ilegal. Quatro agricultores registraram boletins de ocorrência a respeito de 82 caixas de abelhas, com perda total dos animais e do produto que seria colhido. O relatório da Polícia Ambiental e os boletins de ocorrência serão encaminhados ao Ministério Público.

 

Foto: Polícia Ambiental
Foto: Polícia Ambiental
Foto: Polícia Ambiental