Porto Alegre 28/06/2019 00h30 Atualizado às 15h33

Suspeitos de matar PMs na Capital são naturais de Santa Cruz

Pai e filho entraram em confronto com policiais militares quarta-feira em Porto Alegre. Um dos suspeitos também morreu

A morte de dois policiais militares na noite dessa quarta-feira, em Porto Alegre, comoveu o Estado. Rodrigo da Silva Seixas, 32 anos, e Marcelo de Fraga Feijó, 30 anos, foram baleados durante um confronto com criminosos em um conhecido ponto de tráfico do Bairro Partenon, na Zona Leste da Capital. Cleber Josué da Rosa, de 44 anos, e o filho dele, Lucas Iago da Rosa, de 19 anos, são apontados como suspeitos. Os dois são naturais de Santa Cruz do Sul e acabaram sendo atingidos durante o confronto. Cleber morreu na hora e Lucas está internado.

LEIA MAIS: Dois brigadianos morrem após troca de tiros; criminosos envolvidos são de Santa Cruz

Na época em que ainda morava em Santa Cruz, em 2008, Cleber matou o próprio irmão, Genésio Batista da Rosa. Segundo a Justiça, o crime aconteceu no Bairro Pedreira e foi motivado por ciúmes, já que Cleber acreditava que sua mulher o estava traindo com o irmão. Conforme a denúncia, ele foi até a casa de Genésio junto com a filha menor de idade, que ficou esperando pelo pai a cerca de dez metros do local do assassinato. Condenado em 2011, ele estava em liberdade condicional desde então.

Além do homicídio, Cleber tem passagem na polícia por roubo e rompeu a tornozeleira duas vezes, em março e dezembro de 2016. Na época, chegou a ser considerado foragido. Já em dezembro de 2017, o equipamento apresentou falha constatada pela Susepe. Na região onde morava, em Porto Alegre, Cleber era descrito como um “especialista no crime”. Segundo relatos de vizinhos à imprensa da capital, ele já havia dito que queria matar um policial. Em depoimento à polícia na tarde dessa quinta-feira, a esposa do suspeito revelou que ele havia consumido álcool e cocaína na noite do confronto.

Lucas, por sua vez, cumpria pena no regime semiaberto por tráfico de drogas. Ele havia sido condenado duas vezes pelo crime, em 2018, em Porto Alegre, e responde a um terceiro processo, também por tráfico. Uma das condenações lhe rendeu pena de oito anos de reclusão no semiaberto e a outra estabeleceu um ano e 11 meses de prisão, que foram convertidos em serviços prestados à comunidade.

Em razão da falta de vagas no semiaberto, Lucas foi encaminhado para o sistema de tornozeleira. No entanto, ao comparecer na Susepe no dia 14 para colocar uma, não havia equipamento. Ele deveria retornar ao local nesta sexta-feira para instalar o aparelho. Devido a essa situação, Lucas estava na chamada “nuvem”: sem vaga no semiaberto e sem monitoramento eletrônico. O jovem tem antecedentes por associação para o tráfico de entorpecentes, porte ilegal de arma de uso restrito e corrupção de menores, além de um histórico como adolescente infrator.

Dupla atuaria na segurança do tráfico
O Beco da Bruxa, que tem acesso pela Rua Paulino Azurenha, onde os PMs foram mortos na terça-feira, é um conhecido ponto de tráfico de drogas e costuma ser alvo de abordagens diárias da Brigada Militar. Conforme o comandante-geral da BM, Mário Ikeda, a troca de tiros não é incomum no local, embora em alguns casos os criminosos prefiram simplesmente fugir. A suspeita é de que Cleber e Lucas fossem seguranças do tráfico no beco.

O crime

Conforme o apurado, seis policiais militares em duas viaturas faziam abordagens na região da Rua Paulino Azurenha quando viram duas pessoas correndo e tentaram perseguir a dupla. Durante a perseguição, os PMs Rodrigo da Silva Seixas e Marcelo de Fraga Feijó teriam sido surpreendidos por Cleber e Lucas. Os dois atiraram contra os brigadianos, que acabaram morrendo no hospital. Outros dois PMs revidaram e mataram Cleber a tiros. Lucas foi baleado e preso em seguida. As armas encontradas e projéteis já foram enviados para perícia, e a polícia não descarta o envolvimento de mais suspeitos. O inquérito sobre o caso deve ser concluído na semana que vem. Os brigadianos mortos faziam parte do 19o Batalhão de Polícia Militar. Seixas estava na corporação desde outubro de 2009 e completaria 33 anos em 5 de julho. Já Feijó ingressou na BM em setembro de 2012 e faria aniversário no dia 14 de julho.

Foto: DivulgaçãoMarcelo Feijó e Rodrigo Seixas morreram no hospital
Marcelo Feijó e Rodrigo Seixas morreram no hospital