Insegurança 04/09/2019 23h03 Atualizado às 10h01

Assaltos no entorno da praça assustam pedestres em Santa Cruz

Pelo menos três roubos foram registrados em agosto, um deles dentro da Praça da Bandeira. BM diz que casos são pontuais

Sede da Prefeitura e um dos principais espaços de turismo e lazer de Santa Cruz do Sul, a Praça da Bandeira, assim como as ruas de entorno, registrou pelo menos três roubos a pedestre no mês passado. No último dia 14, no intervalo de um jogo de futebol, um produtor audiovisual de 31 anos, que prefere não se identificar, saiu da casa de um amigo na Rua Tenente Coronel Brito para buscar cervejas em um estabelecimento da Marechal Floriano.

Para encurtar o caminho na volta, decidiu atravessar a praça e foi surpreendido por uma dupla de assaltantes. Um dos homens estava armado e o outro, em uma bicicleta. Após entregar o celular e as bebidas, e contar que não tinha carteira, a vítima teve os bolsos revistados pelos ladrões, que acharam cartões de crédito e jogaram no chão.

Mesmo sem ter resistido, a vítima foi atingida por um soco no rosto e uma coronhada na cabeça. “O que me deixa triste é que é um lugar onde andei a minha vida inteira e sempre me senti seguro. Andar pelo Centro de Santa Cruz não me parecia perigoso. Infelizmente aconteceu isso”, comentou.

O caso relatado pelo produtor chama a atenção pela ousadia dos criminosos, que parecem não se sentir intimidados diante do movimento característico do Centro. Situações semelhantes também aconteceram no entorno da praça, que é cercada pelas ruas Sete de Setembro e Borges de Medeiros.

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Moradora da Borges, uma psicóloga de 26 anos, que também pediu para ter a identidade resguardada, conta que nos últimos dois meses foi perseguida em três ocasiões diferentes, todas nos arredores da praça. O caso mais grave aconteceu há cerca de um mês, quando ela retornava do local de trabalho, que fica na Rua Ernesto Alves.

“Eu saio pelas 21 horas e sempre volto a pé, porque são duas quadras de distância. Estava voltando pela Borges e comecei a ouvir um barulho de moto, mas ela nunca passava. Quando vi que o cara vinha bem devagar, atrás de mim, me arrepiei e comecei a caminhar mais rápido. Logo depois ele passou por mim, parou e ficou me esperando”, relembra.

Segurando um molho de chaves entre os dedos, que pretendia usar como um soco inglês caso precisasse se proteger, a jovem conseguiu atravessar a rua quando um carro se aproximou. “Praticamente me joguei na frente do carro e atravessei correndo. O motoqueiro começou a gritar algumas coisas do tipo ‘estou te vendo’ e ‘da próxima vez tu não te escapa’. Nisso surgiram mais carros, eu saí do campo de visão dele e consegui entrar em casa.”

Depois do episódio, a psicóloga passou dias sem conseguir dormir e chegou a diminuir o intervalo de almoço para tentar deixar o trabalho mais cedo. Nas outras duas ocasiões, ela foi seguida por dois homens, um a pé e o outro de carro, e também conseguiu despistar os suspeitos.

Ladrões são oportunistas

De acordo com a Brigada Militar, não foram registrados outros casos na praça e arredores ao longo do ano, além dos três episódios de agosto. Além do crime que teve o produtor audiovisual como vítima, no dia 3, por volta das 4h30, um homem foi assaltado por dois indivíduos que fizeram menção de estar armados; e no dia 8, em torno das 21 horas, um adolescente de 14 anos foi rendido por um criminoso armado. Na avaliação do comandante do 23º Batalhão de Polícia Militar (BPM) de Santa Cruz, tenente-coronel Giovani Paim Moresco, tratam-se de crimes pontuais.

“Pelos horários, que são bem diferentes, o que a gente percebe é que os criminosos encontraram um momento oportuno. Em todos os casos, esses ladrões também estavam a pé, o que significa que é gente que pode ter andado muito tempo atrás das vítimas esperando pelo momento de agir. Por conta disso, a gente sempre orienta que as pessoas não andem sozinhas, nem por percursos pouco movimentados”, detalhou.

Segundo Moresco, a área da Praça da Bandeira é uma das mais vigiadas do município em alguns turnos, como o da noite, já que as guarnições fazem rondas constantes por causa dos flanelinhas que atuam nas proximidades de bares e casas noturnas. O local também fica no caminho das viaturas que seguem para as ocorrências a partir da sede do 23º BPM, que fica na Rua Galvão Costa, próximo ao cruzamento com a Gaspar Silveira Martins.