Tradicionalismo x nativismo

18/09/2014 09:14:35
Foto: Divulgação
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João Cléber Caramez, Natany Borges
 
Dois movimentos culturais existentes no Rio Grande do Sul são facilmente confundidos. Apesar das semelhanças, diferem em suas filosofias. O tradicionalismo teve o Colégio Estadual Júlio de Castilhos, em Porto Alegre, como berço em 1947. João Carlos Paixão Côrtes, Cyro Dutra Ferreira, Antônio João Sá de Siqueira, Orlando Jorge Degrazia, Fernando Machado Vieira, Cilso Araújo Campos, João Machado Vieira e Ciro Dias da Costa, que formaram o “Grupo dos Oito”, foram os realizadores da primeira Ronda Crioula. A tentativa de resgatar valores, principalmente ligados ao costume dos gaúchos identificados com o campo, começou ainda no século 19, em 1898, com o Grêmio Gaúcho de Porto Alegre, fundado por João Cezimbra Jacques. Ele se tornaria, mais tarde, patrono do Movimento Tradicionalista Gaúcho (MTG). Existem correntes que atribuem a ação de Jacques à influência da Sociedade Partenon Literário, que reunia a elite cultural de sua época, criada em 1868. O 35 CTG foi fundado em 24 de abril de 1948 e foi a primeira entidade. Já o MTG foi criado somente em 28 de outubro de 1966, juntamente com a sua Carta de Princípios. O tradicionalismo, a partir do movimento liderado por Paixão Côrtes no Julinho, tinha a incumbência de pesquisar elementos do folclore que faziam parte do repertório cultural do Rio Grande do Sul. Outro aspecto é o sentimento de valorização das raízes, já que o Brasil começava a absorver características norte-americanas. Mais um ponto a ser observado é a campanha nacionalista de Getúlio Vargas, que tinha a intenção de padronizar o Brasil culturalmente, minimizando as manifestações regionais. O tradicionalismo era contrário, justamente por pregar o legado dos antepassados.

Enquanto isso, o nativismo ganhou forma em 1971. O uso da pilcha e o gosto pela música regional gaúcha estavam em desuso. Em festivais populares, as canções com temáticas que tratavam da cultura gaúcha não chegavam a ser aceitas. A Califórnia da Canção Nativa, de Uruguaiana, com a primeira edição realizada em parceria com o CTG Sinuelo do Pago, foi o primeiro festival do segmento. Outros surgiram nos anos seguintes e permanecem em atividade até hoje. Estes eventos fizeram sucesso pela proposta de modernizar o que existia até então, com o estigma de “grossura”. O nativismo é basicamente musical e desde o início se dividiu em linhas: campeira, livre e de manifestação rio-grandense. Um trampolim para a popularidade dos festivais foram os meios de comunicação, principalmente o rádio, com as transmissões e posteriores reproduções na programação. O nativismo também se mostrou mais aberto a influências exteriores, como ritmos sul-americanos, que aos poucos foram incorporados à produção do cancioneiro gaúcho, como a milonga, o chamamé, a chacarera e o rasguido-doble, entre outros.

GAUCHÊS

Peleia: no dialeto gaúcho, peleia é uma das palavras mais conhecidas. Significa luta, briga, combate e pode ser utilizada em diversas situações, como em um jogo de futebol onde grandes rivais se enfrentam ou até mesmo nos desafios encarados no decorrer da vida. Exemplos: “Não vai ser fácil a peleia no Gre-Nal”; “Tenho uma peleia a enfrentar até a formatura”.
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