Opinião 25/10/2019 09h18 Atualizado às 09h38

Mauro Ulrich: filmes são livros que vi

Foram tão bons os seis curtas exibidos nesta noite que mais me pareceram livros, gostosos de ler, recheados de densa emoção

Vou fazer uma rápida analogia com o que me é mais familiar: o livro. Quando termino de ler um livro bom, eu o deposito sobre um dos móveis da casa, e fico admirando sua capa, sua estrutura física, meio de longe, enquanto que uma sensação estranha preenche o meu corpo, na contrapartidada de um vácuo que se apodera do meu coração. Nunca entendi como um vácuo pode se apoderar de algo, mas é como me sinto. E este vazio só é preenchido a contento com a leitura de um outro livro, bom. Tão bom quanto o anterior. E, assim, sucessivamente.


Pois bem, foi assim que eu me senti nesta quinta-feira à noite, enquanto retornava para cá, a redação da Gazeta do Sul, depois de ter acompanhado mais uma noite, a terceira e última, da Mostra Competitiva Nacional do 2º Festival Santa Cruz de Cinema. Foram tão bons os seis curtas exibidos nesta noite que mais me pareceram livros, gostosos de ler, recheados de densa emoção, história, amor, humor, suspense, música, amizade, saudade, tudo ali junto. E reunido.

Já escrevi aqui outro dia: os curtas são contos, e apesar de curtas, cabe todo um universo ali dentro; um universo rápido, que tem a urgente ligeireza em acontecer; a vida passando em frente aos olhos de quem se afoga. Um amor que pede para voltar. Uma atmosfera de piscar de olhos da qual você não pode (e nem deve) se desprender para não correr o risco de perder... Perder o fio da meada.

Sinceramente, não gostaria de estar na pele dos jurados. Tenho os observado, de longe, e eles já se tornaram os meus heróis. Sim, porque a gente admira aqueles que cumprem com uma missão (quase) impossível. Tenho os observado de perto, também, e compactuo com as suas angústias, coçam a cabeça, se remexem na poltrona, olham para aquela tela como se o destino morasse ali.

Hoje (já é sexta-feira!), a partir das 19 horas, o mesmo auditório central da Unisc estará me esperando, esperando a todos que, assim como eu, estão curiosos em saber o veredito final. A decisão que brindará os melhores, em várias categorias, com o grande trofeu Tipuana. Jorge me disse que Ilha das Flores será exibido hoje. O conto dos contos! O curta que mudou a concepção do termo. O curta que é grande, grandioso, sensacional!

E a segunda edição do Festival veio para consolidar o seu status de evento cultural de significativa relevância no Rio Grande do Sul. Agora, é inovar, avançar. Ou não. Permanecer, que já tá muito bom assim. De qualquer forma, o caminho está aberto – e eu me sinto meio piegas, enquanto escrevo isto. Pois todo o mundo já sabe disto. Talvez eu esteja triste porque terminou. Me sinto vazio. Mas ano que vem tem mais. Vem aí o terceiro. Novos filmes, novos livros, novas amizades também. Meus parabéns antecipado para todos os envolvidos, pois todos são vencedores!

Valeu pessoal! Obrigado por me acompanharem aqui e até o ano que vem!

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