Justiça restaurativa 22/12/2018 00h24 Atualizado às 14h47

Diálogo que ajuda a reconstruir os laços nas escolas em Santa Cruz

Participantes são convidados a repensar atitudes e a entender as consequências que elas têm sobre os demais envolvidos

Uma nova forma de pensar e de agir com relação a crimes e conflitos. Em resumo, é isso que define a Justiça Restaurativa, que procura resolver problemas com foco nos danos causados por uma infração às pessoas e aos relacionamentos. Mas já imaginou se isso pudesse fazer parte do ambiente escolar? Com coordenação da juíza Josiane Caleffi Estivalet, o Centro Judiciário de Solução de Conflitos e Cidadania (Cejusc) não só levantou a possibilidade como a colocou em prática.

Por meio de projeto, hoje são 200 professores das redes municipal e estadual de ensino da região capacitados para atuar como facilitadores de Círculos de Construção de Paz Não-Conflitivos. Desse total, 50 também receberam a formação para trabalhar como facilitadores de Círculos de Construção de Paz Conflitivos. Resultado de um esforço conjunto da Escola Superior de Magistratura (Ajuris), 6ª Coordenadoria Regional de Educação (6ª CRE), secretarias municipais de Educação de Santa Cruz e de Venâncio Aires, Ministério Público e Vara de Execução Criminal (VEC) de Venâncio Aires.

Por meio do projeto é possível trabalhar com estudantes que tiveram experiência profunda de violência e adolescentes com atos infracionais frequentes, por exemplo. Os momentos, além de possibilitarem a reconstrução de laços e vínculos e o fortalecimento das relações, promovem o envolvimento de toda a comunidade escolar. “Nosso desejo é poder contar, em breve, com uma escola que adote integralmente a política restaurativa nas suas relações. Esses círculos reflexivos são tentáculos que ultrapassam o âmbito escolar”, afirma Josiane.

Da rede municipal, 75 profissionais foram capacitados, entre orientadores, supervisores, professores e diretores. Para a secretária municipal de Educação, Jaqueline Marques, o processo foi fundamental para instrumentalizar os profissionais com técnicas que fomentam a escuta, a empatia e o diálogo, de forma a melhorar ainda mais o ambiente escolar e suas intensas relações.

A possível facilitação das relações no ambiente escolar também motivou a 6ª CRE, por meio da Comissão Interna de Prevenção a Acidentes e Violência Escolar (Cipave), a capacitar seus profissionais. “Procuramos, dentro dessa possibilidade, multiplicar essas ações no estabelecimento de ensino. Isso facilita muito as relações, além de propiciar uma aprendizagem melhor e fortalecer o ambiente familiar”, acredita o coordenador Luiz Ricardo Pinho de Moura.

Trabalho é coordenado pelajuíza Josiane
Trabalho é coordenado pela juíza Josiane

 

Saiba mais

Em dezembro de 2017 o Cejusc de Santa Cruz, em parceria com a 6ª CRE e a Promotoria da Educação, reuniu prefeitos e secretários do Vale do Rio Pardo com o propósito de promover sensibilização para implementar círculos de construção de paz nas escolas. A principal proposta era potencializar a construção de relacionamentos pacíficos e saudáveis no ambiente escolar.

Além de Santa Cruz, o Cejusc atende as comarcas de Vera Cruz, Candelária, Venâncio Aires e Rio Pardo. Com isso, presta-se apoio, direta ou indiretamente, a 13 cidades do Vale do Rio Pardo, com coordenação da magistrada Josiane Caleffi Estivalet. A execução é realizada por profissionais voluntários de diferentes áreas, que recebem treinamento específico.