Gramado Xavier 15/08/2018 23h56 Atualizado às 11h42

Comunidade tenta entender acidente envolvendo irmãos

Banhado Grande parou para se despedir de Leonardo Soares, morto em uma colisão de moto contra o próprio irmão

Já passavam 30 minutos do meio dia de terça-feira quando o agricultor Dionatan de Oliveira, de 20 anos, concluiu suas tarefas na propriedade do tio, Gelson de Oliveira. Ele logo subiu na moto, comprada com dinheiro da safra do tabaco do ano passado, e seguiu pela estrada geral de Banhado Grande, interior de Gramado Xavier. Tomou a direção de casa, onde encontraria a mãe, os irmãos e a esposa, grávida de cinco meses.

Na primeira reta do percurso, porém, a motocicleta dele colidiu com outra, que vinha no sentido contrário. Dionatan caiu e, meio desnorteado no chão, não acreditou no que viu. Quem pilotava a outra moto era seu irmão mais novo, Leonardo Soares de Oliveira, 18 anos, que ficou muito ferido e viria a morrer no hospital. O acidente encerrou de forma trágica a parceria dos irmãos e abriu um abismo no peito da mãe, Janete.

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Também deixou enlutados outros três filhos dela e o tio Gelson, que socorreu os rapazes e foi quem mais havia ajudado a irmã a criar Leonardo e Dionatan. “Ninguém consegue explicar o que aconteceu. Por causa da batida, o Leonardo perdeu o capacete”, recorda Gelson. Nem ele, nem Dionatan e ninguém da comunidade parecem acreditar no que aconteceu.

Os irmãos foram socorridos também por vizinhos e levados de carro até a Unidade Básica de Saúde de Gramado Xavier, no Centro, em um trajeto de dez quilômetros por estrada de chão batido. No local, uma ambulância já esperava para encaminhar Leonardo ao hospital. Ele foi atendido pelo médico do município e preparado para seguir ao Hospital de Caridade Frei Clemente, em Soledade.

Segundo o tio, Leonardo teve cinco paradas cardíacas no caminho. “Ele foi atendido lá, mas não resistiu, para nossa tristeza.” Em estado menos grave, Dionatan foi levado para o Hospital Regional de Rio Pardo. Ficou internado até o fim da manhã dessa quarta-feira, quando retornou a Banhado Grande, para sepultar o irmão no Cemitério da Comunidade Católica São Roque.

Chegou ao velório às 13 horas, mancando da perna esquerda e sem condições de falar. Parentes e amigos o confortaram, tentando amenizar a dor de perder o irmão e parceiro das aventuras sobre duas rodas. “Eles compraram as motos com muito esforço. Dionatan gostava muito do irmão, eu acredito que os próximos dias serão os mais difíceis”, avalia o tio.

Vizinhança em choque

O acidente dos irmãos Soares aconteceu ao lado da propriedade de Viviane Garcia, vizinha do tio Gelson. Segundo ela, os familiares esperavam pela chegada de Leonardo na casa do tio, assim como a mãe deles aguardava Dionatan. “Até agora ninguém consegue entender. Esses meninos conheciam bem essa estrada, passavam todos os dias por ela. Estamos todos em choque.”

Viviane diz que os irmãos Dionatan e Leonardo, assim como os outros três irmãos, sempre foram muito benquistos pela comunidade de Banhado Grande. Por isso, Leonardo deixará muita saudade. “Não é porque ele morreu, mas todos aqui conhecem a família e gostam desses meninos. Leonardo era muito educado e trabalhador, teria um grande futuro pela frente”, conta a vizinha.

Na casa dos Soares, o clima é de sofrimento, mas também de consolo pelo que virá: em pouco mais de quatro meses, Dionatan será pai. Casado desde o ano passado, o irmão de Leonardo precisará ter força para seguir em frente. “Já passamos por situações muito difíceis, viver no campo não é fácil. Precisamos dar muito apoio para Dionatan, porque o que aconteceu foi uma fatalidade, uma tragédia. Não existe culpado”, resume Gelson, o tio.

Foto: DivulgaçãoComoção marcou a chegada de Dionatan (de verde) ao velório nessa quarta-feira
Comoção marcou a chegada de Dionatan (de verde) ao velório nessa quarta-feira