Combate ao crime 14/09/2018 08h30 Atualizado às 15h37

Quatro pessoas são presas em ação contra homicídios em Santa Cruz

Mandados foram cumpridos na manhã desta sexta-feira; outro homem foi detido com arma

A Polícia Civil prendeu quatro pessoas como resposta a homicídios ocorridos em Santa Cruz do Sul no mês passado. Chamada de Operação Filhos das Grades, a ação teve início às 6 horas e cumpriu nove mandados de busca e quatro de prisão nos bairros Castelo Branco, Dona Carlota, Santa Vitória e Faxinal Menino Deus.

De acordo com a Polícia Civil, três homens foram presos preventivamente em Santa Cruz: Deivid dos Santos, de 27 anos, que é apenado e estava usando tornozeleira eletrônica; João Carlos Godoy, de 36 anos, que possui antecedentes criminais; e Anderson dos Santos Ramos, de 22 anos, sem antecedentes. 

Durante coletiva nesta manhã, a delegada Ana Luísa Aita Pippi, titular da 1ª Delegacia de Polícia (DP), e o delegado Alessander Zucuni Garcia, titular da 2ª DP, divulgaram detalhes sobre a operação. Segundo eles, um dos suspeitos, apontado como mandante dos homicídios, seria Marcelo do Carmo, que já está preso na Penitenciária Modulada Estadual de Charqueadas, onde foi cumprido o quarto mandado de prisão preventiva.

Um quinto homem foi preso em flagrante por posse irregular de arma de fogo durante os mandados de busca. Na casa, foi encontrada uma arma artesanal. Ele não teve o nome divulgado. Segundo a Polícia Civil, ele não tem envolvimento com os homicídios. Foi estabelecida uma fiança que, se não for paga, ele será encaminhado ao Presídio.

Foto: Paola Severo/Portal GazPolícia Civil apreendeu armas e munições e prendeu quatro pessoas
Polícia Civil apreendeu armas e munições e prendeu quatro pessoas

 

Foram apreendidas armas de fogo, que podem ter sido usadas nos crimes. Durante as buscas, os policiais encontraram uma pistola de 9 milímetros da marca Taurus de uso restrito, um revólver calibre .38 da marca Taurus e uma garrucha de calibre 20 de fabricação artesanal, todos municiados. Também foram apreendidos telefones celulares e máscaras. 

Conforme os delegados, os homens presos nesta sexta foram identificados por conta de outras investigações envolvendo o tráfico de drogas e os mandados de prisão preventiva foram adquiridos por conta de provas robustas contra os suspeitos. Participaram do cumprimento dos mandados 43 agentes das delegacias da 16ª Região Policial - Vale do Rio Pardo. A operação partiu de uma investigação conjunta da 1ª e 2ª Delegacias de Polícia.

Os homicídios

A escolha de realizar a operação na sexta-feira foi para evitar novos crimes. Conforme a delegada Ana, o grupo atuava, principalmente, às sextas e segundas e a suspeita é de que cometeriam novos crimes neste fim de semana. 

De acordo com a Polícia Civil, os indícios apontam que os presos foram autores de uma série de homicídios, entre eles, as mortes de Valdemar de Camargo, de 37 anos, morto em casa no Bairro Santa Vitória no dia 13 de agosto e Demian Marcel de Oliveira, de 19 anos, morto na Rua Irmão Emílio, no Bairro Várzea, em 27 de agosto. De acordo com o delegado Alessander Garcia, por enquanto não há elementos suficientes para relacionar a morte de Paulo César Lopes, de 29 anos, baleado no Bairro Bom Jesus, com as prisões.

Ainda que a maioria dos crimes tenha relação com o tráfico de drogas, segundo Alessander, a motivação para os homicídios também pode ter fundo pessoal, como rixas, vinganças e punições. No caso da morte de Paulo César, os assassinos deixaram um bilhete que dizia "roubou na comunidade, acabou o carinho", apontando desrespeito às regras impostas pelos traficantes. 

Foto: Paola Severo/Portal GazPolícia Civil apreendeu armas e munições e prendeu quatro pessoas

 

Mandantes presos podem ser transferidos

O líder por trás dos homicídios seria Marcelo do Carmo, conhecido como Marcelinho, de 32 anos. Atualmente recolhido na Penitenciária Modulada Estadual de Charqueadas, ele segue comandando execuções relacionadas ao tráfico. Marcelinho possui diversos antecedentes, a maioria por homicídio e tráfico de drogas e, segundo os delegados, exercia a função de matador quando estava em liberdade. Ele também é acusado da morte de duas mulheres, crimes cometidos em 2016 que são investigados pela Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (Deam).

Foto: Polícia Civil / Divulgação

 

"Alguns indivíduos começaram a 'atrapalhar' o trabalho dele, que mesmo preso tem que angariar, captar a pessoa que vai cometer o crime", explica Alessander. Marcelo do Carmo segue intermediando a execução de outros crimes e também seria o fornecedor das armas usadas nos homicídios. "Ele fornece o armamento, manda as pessoas guardarem as armas para ele", esclarece Ana Luísa. 

A investigação da Polícia apontou que a onda de homicídios entre agosto e setembro pode ter relação com a transferência de Antônio Marco Braga Campos, conhecido como Chapolin. A hipótese vai ser averiguada pela investigação. Apontado como um dos líderes da facção Os Manos, que domina o tráfico de drogas na região, Chapolin foi transferido da Pasc, onde cumpria pena de 86 anos por assalto, latrocínio e tráfico para uma penitenciária federal. 

Conforme Alessander, Marcelinho não seria o único coordenando homicídios de dentro da prisão. A Polícia Civil já trabalha com pelo menos mais um mandante. "Tem outras pessoas e nós não vamos parar as investigações", diz Ana. Os delegados ainda confirmam a possibilidade de que esses presos sejam encaminhados para presídios federais fora do Estado. "Pode ser pertinente para voltar à normalidade. Homicídios são crimes graves, que alarmam a população. Providências estão sendo tomadas junto às autoridades competentes para transferir esses envolvidos", declarou o delegado Garcia.

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