Insegurança 23/05/2019 22h57 Atualizado às 06h06

Assaltos preocupam quem circula pelo Bairro Universitário

Estudante de Psicologia de 21 anos chegou a comprar uma arma de choque por medo de ser a próxima vítima dos criminosos

O aumento no número de roubos a pedestres tem preocupado quem percorre as ruas do Bairro Universitário, na Zona Norte de Santa Cruz do Sul. Pela proximidade com a Universidade de Santa Cruz do Sul (Unisc), a região é ocupada principalmente por estudantes, que circulam a pé entre suas casas, o campus e os estabelecimentos comerciais. Desde janeiro, conforme a Brigada Militar, sete pessoas foram vítimas de ladrões no bairro. Na comparação com o ano passado, o aumento é de 100%, já que não houve registro desse tipo de delito no lugar no mesmo período de 2018.

Segundo o capitão Rafael Menezes, que comanda a 1ª e 2ª companhias do 23º Batalhão de Polícia Militar, os assaltos a pedestres aumentaram especialmente em abril. A diferença foi de 30% na comparação com os meses anteriores. “Mas não só no Universitário. Isso se deve à sazonalidade criminal. Quando aumentamos a prevenção do delito de furto, por exemplo, o delinquente migra para outro tipo de crime”, argumentou. Conforme o capitão, o horário de maior ocorrência desses delitos é entre 18 e 21 horas.

Natural de Novo Cabrais, município de 4 mil habitantes localizado na Região Jacuí-Centro, a acadêmica de Psicologia Natália Seckler, de 21 anos, sente na pele o aumento da sensação de insegurança. Morando na Rua Augusto Spengler há cerca de dois anos, ela nunca chegou a ser vítima de criminosos, mas vê nos relatos de amigos e notícias sobre as ocorrências motivos para se preocupar. “É bem diferente de onde eu morava, uma cidade de interior muito tranquila. Há um tempo, eu comecei a ver muitas notícias sobre assaltos e tenho uma colega que foi vítima de manhã cedo. Isso me deixou com muito medo”, detalha.

Para se proteger, a estudante comprou uma arma de choque, que carrega sempre consigo. “Nunca precisei usar, mas me sinto mais segura. Meu medo maior é de andar à noite mesmo, na saída da Unisc. Ando sempre olhando ao meu redor, não fico descansada.” O dispositivo custou R$ 70,00 e foi comprado em uma loja no Centro de Santa Cruz. Outra medida de precaução que Natália adotou é evitar andar sozinha. Ela procura deixar a universidade na companhia de amigos e conhecidos ou até mesmo com grupos de pessoas que estejam indo para o mesmo lugar que ela.

OS PONTOS

Os balões vermelhos que aparecem no mapa representam os roubos a pedestres ocorridos de janeiro a abril neste ano, que foram registrados pela Brigada Militar. Os pontos onde eles estão marcados representam os locais exatos das ocorrências e permitem que a BM mapeie os delitos por zona, demandando mais patrulhamento para os lugares mais vulneráveis.

Prisões e patrulhamento prometem devolver a paz

Por meio dos setores de operações e inteligência, a Brigada Militar mantém um mapa das ocorrências criminais e busca a identificação dos possíveis autores. Dessa forma, sempre que algum tipo de delito aumenta em uma determinada região, as guarnições reforçam o patrulhamento e as ações preventivas nesses locais. Um exemplo disso é uma série de prisões recentes que contribuíram para a queda dos indicadores criminais neste mês. As três capturas mais importantes ocorreram entre a segunda quinzena de abril e o início de maio.

Uma delas ocorreu logo após um homem assaltar duas mulheres no Centro. O caso aconteceu por volta das 20h50 na Rua Tenente-Coronel Brito, quando o ladrão ameaçou as vítimas com uma faca e fugiu levando uma bolsa e um celular. A BM foi acionada, e o criminoso foi localizado na Rua Ernesto Alves dez minutos depois.

“Foram prisões a contumazes autores de roubo a pedestre. Com isso, maio é o mês em que nós estamos com este índice controlado, dentro dos parâmetros, em comparação com os anos anteriores”, comentou o capitão Menezes. Outro crime que diminuiu por causa das ações, segundo ele, é o furto de veículos, que teve queda de 70% em maio. Além das prisões, a BM também aposta nas patrulhas escolares para prevenir os crimes nas proximidades de educandários, o que inclui a Unisc. Conforme o capitão, as dicas para quem circula a pé são observar o entorno, andar em local iluminado e evitar ficar totalmente desatento ao que está acontecendo.


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