Vai sair do papel 15/08/2018 01h06 Atualizado às 21h41

Plataforma logística de Santa Cruz do Sul atrai investidores

Detalhes do projeto foram apresentados na Prefeitura; documentação para obter licenças deve ser protocolada em breve

Em discussão há dez anos e em tratativas há cinco, o plano estratégico de construir uma plataforma logística em Santa Cruz do Sul está mais perto de começar a sair do papel. Dois investidores já garantiram participação no empreendimento, que chegará a 60 mil metros quadrados de área construída – divididos em quatro módulos – em um terreno ao lado do Centro Agronômico da Universal Leaf Tabacos, no limite entre Santa Cruz e Rio Pardo, próximo ao antigo pedágio (na BR-471). A estrutura deverá atrair ainda mais empresas de logística, consolidando o município como um polo do setor no Estado. Somente na primeira fase o investimento deve passar de R$ 20 milhões.

O plano diretor da plataforma logística foi apresentado pelo arquiteto Thomas Burger – especializado em projetos industriais e logísticos – ao prefeito Telmo Kirst (Progressistas) e membros da Associação Santa Cruz Novos Rumos (Ascnor), que assumiu a frente do projeto. Além do prefeito e do consultor Maurênio Stortti, responsável pela busca de parceiros, participaram o presidente da entidade, Flávio Haas; os empresários Carlos Brandt e André Jungblut, membros da Ascnor; o secretário de Desenvolvimento Econômico, César Cechinato; e os empresários Pedro Tedesco (Construtora Tedesco) e Giulia Tolotti (GT Participações).

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Ficou definido que a GT Participações, dona da área onde será construída a plataforma, entrará como terreneira no projeto, tornando-se parte da espécie de consórcio que será formado para viabilizar o projeto. A Terrafácil fará a terraplenagem também em troca de participação no negócio. O mesmo vale para a Tedesco, que assumirá a construção dos pavilhões. A construtora é tradicional no Estado e faz parte do consórcio contratado pela Fraport para ampliar a pista do aeroporto Salgado Filho, em Porto Alegre, o que demonstra sua expertise na área de logística.

De acordo com o secretário César Cechinato, o modelo de negócios construído com a consultoria de Maurênio Stortti e interlocução de empresários locais garante a viabilidade quase imediata da plataforma. Ao contrário do que chegou a ser estudado no passado, o poder público não precisará doar a área para o empreendimento, por exemplo. “Só a obra em si já trará resultados positivos para a economia de Santa Cruz. Nem se fala então como será depois, com empresas de logística operando no local”, destaca.

O presidente da Ascnor, Flávio Haas, comemora o avanço do projeto. “Depois de algumas dificuldades até mesmo por conta da desaceleração econômica dos últimos anos, agora a plataforma logística vai andar. É um grande passo para a economia de Santa Cruz, que se consolidará no futuro como importante polo logístico do Estado”, prevê. Segundo Haas, nas próximas semanas os projetos da obra darão entrada na Secretaria Municipal de Planejamento em busca das licenças necessárias.

O proprietário da Construtora Tedesco, Pedro Tedesco, disse nessa terça-feira, 14, que ainda não existe um prazo estabelecido para a obra. “Primeiro temos que esperar a tramitação de todos os projetos na Prefeitura. Enquanto isso seguiremos em busca de grandes empresas interessadas em utilizar a plataforma logística. Precisamos que haja uma demanda mínima para começar a obra, que será realizada em etapas”, antecipa. O prefeito disse que a Prefeitura está se esforçando para garantir a implantação da plataforma logística na cidade. “Nosso esforço coletivo vai projetar ainda mais nossa cidade também na área logística”, afirma.
 

SAIBA MAIS

O plano de construir uma plataforma logística em Santa Cruz começou a ser discutido em 2008, ano de criação da Associação Santa Cruz Novos Rumos. Era uma das apostas estratégicas para diversificar a economia local. Cerca de cinco anos depois começaram os primeiros movimentos para tirar o projeto do papel. Entre as iniciativas estava a inclusão do consultor Maurênio Stortti no projeto para auxiliar na busca por investidores. A crise econômica dos últimos anos tornou a busca mais difícil.

Há cerca de dois anos definiu-se, com base em estudos técnicos, qual seria o melhor local para abrigar a plataforma logística, que funciona como um porto seco. Empresas locam ou compram espaços nos pavilhões para estoque e movimentação de cargas, como se fosse um condomínio. A conclusão foi que a BR-471, na saída para Rio Pardo, seria o local ideal e começou então a busca por áreas. A escolhida fica nas proximidades do antigo pedágio, à direita de quem vai para Rio Pardo.

Definiu-se então que a empresa proprietária do imóvel será parceira do projeto, assumindo como terreneira. Outra empresa do mesmo grupo fará a terraplenagem, igualmente integrando o projeto. A Tedesco também erguerá os pavilhões para, em troca, fazer parte do negócio no futuro. Neste modelo nem o poder público nem um dos investidores precisa comprar o terreno, o que torna o projeto mais viável.

O projeto apresentado pelo arquiteto Thomas Burger prevê a construção de quatro pavilhões em uma área total de 60 mil metros quadrados. Os espaços seriam erguidos em etapas, de acordo com a demanda. Junto haverá escritórios, estacionamento para caminhões e área para movimentação de contêineres. A partir de quando começarem as obras deverá ter início uma nova mobilização, aí em busca da instalação de uma Estação Aduaneira de Interior (Eadi), órgão vinculado à Receita Federal que faz o desembaraço de importações e exportações.

O secretário de Desenvolvimento Econômico, César Cechinato, diz que Santa Cruz já vem se destacando no setor de logística e que a plataforma impulsionará muito este setor. “Santa Cruz é a esquina do Rio Grande. Estamos perto de Porto Alegre, de Santa Maria, de Caxias, de Passo Fundo e de Pelotas. Para o setor de logística somos estratégicos”, afirma.

Foto: Rodrigo AssmannPlano diretor da plataforma logística foi apresentado durante reunião na Prefeitura
Plano diretor da plataforma logística foi apresentado durante reunião na Prefeitura