Entrevista 05/07/2019 14h20 Atualizado às 15h03

“Valores falaram mais alto que o preconceito”, diz primeira prenda transexual homenageada em CTG

Aos 7 anos, ela ingressou no movimento por meio da família, que sempre foi ligada ao tradicionalismo

Gabriella Meindrad Santos de Souza, de 32 anos, quebrou barreiras e foi exemplo ao Rio Grande do Sul no último sábado, 29, quando se tornou a primeira prenda transexual a receber uma homenagem em um Centro de Tradições Gaúchas (CTG) e ser reconhecida pelo Movimento Tradicionalista Gaúcho (MTG) como integrante do movimento. Natural de São Vicente do Sul, a estudante de Direito e funcionária pública carrega consigo uma longa trajetória tradicionalista.

Aos 7 anos, ingressou no movimento por meio da família, que sempre foi ligada ao tradicionalismo. Teve início a caminhada de Gabriella no meio gaúcho, participando de concursos de peão e sendo eleita, em 2003, como peão da 10ª Região Tradicionalista. Anos mais tarde, acabou se afastando do tradicionalismo e realizando a transição, assumindo a identidade com a qual sempre se identificou.

Agora, teve os projetos e contribuições reconhecidos ao ser homenageada no CTG de Mata, na região central do Estado. “É toda uma caminhada que foi feita, eu dedicava muito tempo, nos fins de semana e nos dias de semana. Mesmo quando me afastei, indiretamente, sempre continuei participando do movimento”, disse, em entrevista à Rádio Gazeta.

Ao questionar ao MTG sobre a participação no tradicionalismo, foi surpreendida com a homenagem e com o acolhimento da identidade. “Achei muito bonito o reconhecimento, de todas as pessoas que fizeram parte do movimento. Embora exista muito preconceito e machismo, o que foi maior no evento foi a fraternidade, amizade e laços. Os valores que o movimento trouxe desde a sua fundação, da humanidade, da igualdade e do respeito, falaram mais alto que o preconceito”, comentou.

Ouça a entrevista completa: