Santa Cruz 09/07/2018 16h46 Atualizado às 18h08

Instituto de Oncologia Saint Gallen passa a oferecer crioterapia

O equipamento denominado Touca Inglesa - Paxman é uma tecnologia de referência mundial para combate à perda de cabelo decorrente da quimioterapia

O Instituto de Oncologia Saint Gallen, com sede em Santa Cruz do Sul, conta com o equipamento denominado Touca Inglesa - Paxman, uma tecnologia de referência mundial para combate à perda de cabelo decorrente da quimioterapia. A técnica, conhecida como crioterapia, consiste em resfriar o couro cabeludo durante as sessões de quimioterapia, levando à contração dos vasos sanguíneos e protegendo os folículos capilares. Assim, evita a queda de cabelo durante o processo de quimioterapia.

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Durante o processo normal de aplicação de quimioterápicos é comum a perda de cabelo dos pacientes. Ocorre que, assim como as células cancerosas, os folículos pilosos também são células de crescimento rápido. O procedimento de crioterapia é realizado através da Touca Inglesa - Paxman, desenvolvida no Reino Unido, que realiza o resfriamento do couro cabeludo e possibilita proteger os fios das medicações quimioterápicas. “O congelamento realiza uma redução dos vasos sanguíneos que chegam ao couro cabeludo. Assim, promove uma vasoconstrição na região, dificultando que a droga utilizada na quimioterapia penetre e danifique o folículo capilar, o que evita a queda de cabelos”, explica o oncologista clínico Marcelo Luís Dotto, diretor técnico do Instituto. 

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Dotto ainda ressalta que a questão vai além da estética. “A perda do cabelo não é apenas mais um dos efeitos colaterais do tratamento contra o câncer. Constitui um dos fatores de maior impacto psicossocial, especialmente para as mulheres, podendo afetar severamente a autoimagem e a identidade, bem como a capacidade de enfrentamento da doença”, destaca.

Segundo a psico-oncologista da Saint Gallen, Larissa Magalhães, o processo de adoecimento, para a maioria dos pacientes, é gerador de sofrimento físico e psíquico, marcado por estigma e temores, desde a investigação dos sintomas, passando pela confirmação do diagnóstico, a definição do tratamento, o enfrentamento deste e suas reações.

Larissa ressalta que para as mulheres a queda dos cabelos se configura como mais uma perda, dentre tantas simbólicas e concretas vivenciadas. “Percebe-se que é um dos principais fatores estressores e geradores de sofrimento no que se refere ao tratamento oncológico. A paciente passa por diversas mudanças na rotina, hábitos e na própria maneira como se vê e é vista em sociedade. A perda de cabelo pode, portanto, afetar sua autoestima, exigindo mais uma mudança – rever sua autoimagem, além do impacto do olhar do outro”, enfatiza a psico-oncologista.

A possibilidade de minimizar sofrimento, reduzindo ou inibindo a queda dos cabelos pode trazer muitos benefícios do ponto de vista emocional, facilitando atitudes mais positivas e adaptações mais resilientes para enfrentamento do tratamento.

Sobre a Touca Inglesa

A tecnologia de resfriamento do couro cabeludo vem sendo desenvolvida há décadas, e curiosamente já utilizou até mesmo melancias na cabeça de pacientes, nos primórdios dos estudos. O sistema da touca inglesa é o que há de mais moderno e o único com eficácia comprovada por dezenas de estudos realizados pela empresa britânica ao longo de mais de 20 anos. Em mais de 92% dos casos, os pacientes tratados relataram a diminuição da alopecia a ponto de não precisar usar lenço ou peruca.

A touca inglesa é colocada cerca de 30 minutos antes e não pode ser retirada até uma hora e meia depois da infusão das drogas. O procedimento completo permite que o couro cabeludo fique estavelmente resfriado, graças à circulação do líquido gelado, o que causa diminuição do fluxo sanguíneo nos folículos capilares e evita ou reduz a perda dos fios.

Comprovação científica

O sistema é pioneiro no mundo, sendo o único no Brasil com aprovação da agência que regula os medicamentos nos Estados Unidos e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). O recurso proporciona segurança ao paciente e eficácia do tratamento de maneira cientificamente comprovada. Mais de 100 mil pessoas em 64 países já utilizaram o sistema Paxman desde que foi criado em 1997.

No Brasil, cerca de mil pacientes já fizeram uso do método nos principais centros de referências, como Hospital Israelita Albert Einstein, Hospital Sírio-Libanês, Rede D´Or e Grupo Oncoclínicas.A indicação para uso da tecnologia deve levar em consideração o tipo do câncer, seu estágio, bem como as condições gerais do paciente.