Trânsito 24/10/2018 00h54 Atualizado às 10h46

Por que ocorrem tantos acidentes na Rua Tenente Coronel Brito

Pelo menos dez casos foram registrados desde janeiro. Cruzamentos com a Tiradentes e Galvão Costa são os mais perigosos

No início da tarde dessa terça-feira, a Rua Tenente-Coronel Brito, no Centro de Santa Cruz do Sul, foi cenário de mais um acidente de trânsito. O caso ocorreu por volta das 13h10, quando uma Doblò com placas de Porto Alegre seguia pela Rua Galvão Costa e, ao tentar atravessar a Coronel Brito, cortou a frente e foi atingida por um Focus com placas de Santa Cruz, que trafegava pela preferencial. Com o impacto, o primeiro carro capotou. A motorista do Focus e um caroneiro que estava no banco de trás da Doblò foram encaminhados pelo Corpo de Bombeiros para atendimento médico, mas apenas com escoriações leves. Os outros dois ocupantes da Doblò não se feriram.

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O caso dessa terça-feira foi o terceiro ocorrido no cruzamento da Coronel Brito com a Galvão desde o início do mês passado. Uma quadra acima, no cruzamento com a Tiradentes, a via registrou pelo menos mais dois acidentes nos últimos 30 dias. No dia 2 deste mês, uma Hilux com placas de Santa Cruz foi parar dentro de uma distribuidora de bebidas na Coronel Brito, depois de colidir com um veículo vermelho que fugiu do local. O condutor da Hilux ficou ferido.

No dia 17 de setembro, no cruzamento com a Galvão Costa, um acidente entre quatro veículos deixou uma mulher ferida. Dez dias depois, um Corsa seguia pela Coronel Brito e colidiu com um Renault Megane que avançava pela Tiradentes. Com o impacto, a condutora do Megane perdeu o controle do veículo e bateu contra o muro de um prédio. Desde o início do ano, os dois cruzamentos registraram pelo menos mais três acidentes.

De acordo com o secretário de Transportes e Serviços Urbanos de Santa Cruz, Gérson Vargas, o entroncamento da Coronel Brito com a Tiradentes deve receber atenção especial nos próximos dias. “O local é muito bem sinalizado, tanto na pista quanto com placas, mas iremos analisar de perto o fluxo ali e já estamos prevendo uma intervenção”, contou. A pasta estuda estreitar a pista, a exemplo do que foi feito no cruzamento da Rua 28 de Setembro com a Assis Brasil. “Lá, onde há alguns meses se registrava diversos acidentes por semana, o estreitamento resolveu o problema”, comentou.

Segundo Vargas, o plano de mobilidade urbana de Santa Cruz, apresentado no primeiro semestre deste ano, prevê outras mudanças nos cruzamentos da Tenente com a Galvão Costa e Sete de Setembro. Outros pontos da cidade, como os cruzamentos da Assis Brasil com a Tiradentes e Júlio de Castilhos, também podem receber alterações.

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Outros cruzamentos

Além dos cruzamentos com a Tiradentes e Galvão Costa, a Rua Tenente- Coronel Brito registrou acidentes em outros pontos ao longo deste ano. No último dia 20, um acidente entre uma Honda Biz e uma Chevrolet Montana deixou uma pessoa ferida no cruzamento com a Fernando Abott. Os dois veículos trafegavam na Coronel Brito quando acabaram colidindo e a condutora da motocicleta se feriu. No mesmo ponto, houve outro acidente no dia 19 de fevereiro. Um Ford Fiesta e um Celta colidiram, e o Fiesta acabou tombando na pista. Entre junho e o mês passado, pelo menos mais três colisões foram registradas, nos cruzamentos da Coronel Brito com a Sete de Setembro, Capitão Fernando Tatsch e Ramiro Barcelos.

Falha humana

Falta de atenção e desrespeito às regras de trânsito costumam ser as principais causas de acidentes, segundo o especialista em Gestão e Legislação de Trânsito e ex-comandante do Comando Rodoviário da Brigada Militar de Santa Cruz, tenente-coronel Ordeli Savedra Gomes.

“A maioria dos acidentes acontece por falha humana. É sempre culpa de alguém que não seguiu alguma regra ou fez uma avaliação incorreta da situação, achando que ia dar tempo de atravessar um cruzamento quando na verdade não dava, por exemplo”, comentou.

Conforme Gomes, em lugares onde a sinalização não se mostra suficiente, outras medidas precisam ser adotadas. “Um bom exemplo disso em Santa Cruz é a Avenida João Pessoa, que recebeu uma travessia elevada em um ponto que registrava muitos acidentes. Obrigando os motoristas a reduzir a velocidade, a queda no número de colisões é garantida”, avaliou.

Foto: Bruno PedryGomes: as regras são desobedecidas
Gomes: as regras são desobedecidas