Alerta 13/11/2018 12h19 Atualizado às 12h42

Cobras podem ser um problema com a chegada do calor

Temperaturas elevadas aumentam o número de relatos sobre o aparecimento de cobras nos meios urbano e rural

Nesta época do ano, com a chegada do calor, são mais comuns relatos sobre o aparecimento de cobras na cidade e no interior. A temperatura externa é essencial para as atividades desses animais. “Com o calor da primavera e verão esquentando os corpos das serpentes, elas voltam para suas rotinas normais, depois de algumas semanas ou meses em forma de hibernação”, explica o professor Andreas Köhler, do Departamento de Biologia e Farmácia da Universidade de Santa Cruz do Sul (Unisc). A partir de agora, esses animais saem em busca de comida e parceiros para reprodução.

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Para evitar acidentes com serpentes e outros animais peçonhentos, o Centro de Informação Toxicológica do Rio Grande do Sul (CIT-RS) indica medidas como usar botas de borracha até o joelho ou botinas com perneiras ao andar no campo, mata e lavouras. Manter jardins, quintais e terrenos baldios limpos também é considerado essencial, bem como usar graveto, enxada ou gancho ao mexer em lenhas, buracos, folhas secas e troncos ocos. Em caso de ataques, a entidade recomenda medidas emergenciais de primeiros socorros.

É preciso lavar o local da picada com água e sabão e manter a vítima sentada ou deitada para não favorecer a circulação do veneno. Se a picada for na perna ou no braço, manter os membros em posição mais elevada.

O CIT-RS ainda indica levar o ferido ao serviço de saúde mais próximo para que possa receber atendimento. Não se deve amarrar o local da picada, o chamado garrote, pois esse procedimento pode impedir a circulação e causar necrose. Além disso, jamais corte o local da picada e não aplique folhas, pó de café ou terra sobre o ferimento.

 

Onde encontrar soros antivenenos?

Os soros antivenenos são produzidos por laboratórios como o Butantan, Vital Brazil, Fundação Ezequiel Dias e Centro de Produção e Pesquisa de Imunológicos (CPPI) e repassados às secretarias estaduais de Saúde para serem utilizados nos casos de acidentes com animais peçonhentos. Na 13a Coordenadoria Regional de Saúde, segundo o CIT-RS, os hospitais de referência são Hospital Santa Cruz (HSC) e Monte Alverne.

 

Espécies são cruciais para o ecossistema

As serpentes integram a cadeia ecológica e são cruciais para  o equilíbrio do ambiente, fazendo parte de uma grande e complexa teia alimentar. “Devemos lembrar que cada animal tem um papel importante na natureza. A falta de um pode causar a superpopulação de outros e provocar um desequilíbrio ambiental”, destaca o professor Andreas Köhler, do Departamento de Biologia e Farmácia da Unisc.

Para que se possa entender, o especialista explica que os gaviões se alimentam de serpentes. “Faltando serpentes, logo faltarão gaviões. Assim o número de rãs aumentará, pois as serpentes se alimentam delas. As cobras, como são chamadas popularmente, são nossas aliadas.” Além de combaterem roedores, seu veneno é usado para estudos e produção de medicamentos, como soros e vacinas.

 

As peçonhentas

Jararaca (Bothrops jararaca): apresenta coloração marrom esverdeada, com desenhos na forma de “V” invertido em cor preta ou castanho-escuro, cauda lisa. Pode medir cerca de um metro. Ocorre em todo o Rio Grande do Sul;

Cruzeira, urutu (Bothrops alternatus): apresenta coloração marrom, com desenhos na forma de gancho de telefone, com a borda branca. Podem medir aproximadamente um metro de comprimento. Ocorre em todo o Estado, principalmente em vegetação rasteira, perto de açudes e plantações;

Jararaca-pintada (Bothrops pubescens): apresenta coloração castanha, com desenhos em forma de trapézios. De pequeno a médio porte e muito ágil;

Cotiara (Bothrops cotiara): apresenta coloração castanha esverdeada, com desenhos de trapézios e ventre preto. Serpente de pequeno a médio porte;

Cascavel (Crotalus durissus): apresenta coloração marrom amarelada, com desenhos em forma de losangos mais claros no dorso e nas laterais. Pode medir aproximadamente um metro. Ocorre em regiões pedregosas e secas do Rio Grande do Sul;

Coral-verdadeira (Micrurus altirostris): corpo dividido em anéis vermelhos, pretos e brancos ao redor de todo o corpo. Serpente de pequeno porte, mede de 70 a 80 centímetros. Não possui fosseta loreal (orifício localizado entre o olho e narina).