Câmara 05/02/2019 06h08 Atualizado às 14h35

Vereadores defendem vinda da Havan na primeira sessão

A polêmica se instalou após a Havan, que está em processo de expansão no Rio Grande do Sul, condicionar o investimento em Santa Cruz à liberação para funcionar aos domingos e feriados

Pressionados nas redes sociais, os vereadores de Santa Cruz engrossaram o coro em favor da instalação de uma loja da Havan no município. O assunto dominou os pronunciamentos na primeira sessão ordinária do ano na Câmara.

A polêmica se instalou após a Havan, que está em processo de expansão no Rio Grande do Sul, condicionar o investimento em Santa Cruz à liberação para funcionar aos domingos e feriados. Essa possibilidade, porém, não está prevista na convenção coletiva de trabalho dos comerciários, a não ser em datas específicas. Em função disso, a vinda da rede, que pode gerar até 180 empregos e injetar R$ 25 milhões na economia, depende de um acordo com o Sindicato dos Comerciários. Na última quinta-feira, a categoria rejeitou a flexibilização por ampla maioria em assembleia.

 

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Na sessão de ontem à noite, vereadores de oposição e situação criticaram o resultado da assembleia e cobraram uma postura diferente da parte do sindicato. Luís Ruas (PTB) afirmou que a entidade precisa ter “mais bom senso” e o investimento da Havan é “uma grande oportunidade para a nossa cidade”. Na mesma linha, o líder do PTB, Mathias Bertram, disse que o sindicato precisa apoiar a vinda da empresa “se está do lado do município e das pessoas que querem trabalhar”.

Já Licério Agnes (PP) lembrou que estabelecimentos de diversos segmentos já funcionam aos domingos e feriados, como restaurantes, farmácias e supermercados, enquanto Alex Knak (MDB) afirmou que a geração de empregos “tem que ser prioridade”. “Quem defende o trabalhador tem que defender o emprego.”

Os vereadores ainda lembraram que, desde 1990, Santa Cruz conta com uma lei de livre horário do comércio e destacaram outros investimentos externos que foram alvos de questionamentos, como o do hipermercado Big – à época, houve resistência de setores que alegavam que a rede iria inviabilizar os mercados locais. Ari Thessing (PT) alegou que a discussão sobre abertura de lojas aos domingos e feriados está superada e, se Santa Cruz ambiciona se afirmar como cidade turística, precisa flexibilizar o horário de funcionamento do comércio. “Não adianta remar contra a maré. Milhões de pessoas trabalham aos domingos e isso não tem mais volta”, criticou.

A Câmara deve criar uma comissão especial para acompanhar o assunto. A iniciativa partiu de Edmar Hermany (PP). “Temos que ter discernimento de que essa empresa precisa vir para Santa Cruz”, disse o progressista. Outros vereadores, como Gerson Trevisan (PSDB), André Scheibler (SD), Alceu Crestani (PSDB), Bruno Faller (PDT) e Elstor Desbessell (PTB), também comentaram a polêmica durante a sessão.