Cuidados com as compras e festas de fim de ano

18/12/2020 14:10:55
Foto: Pixabay

No início deste ano de 2020, em meio às férias e ao tempo em que tudo parece que anda devagar, os telejornais mostravam uma cidade da China, de onze milhões de habitantes e da qual a maioria dos brasileiros nunca ouviu falar: Wuhan. Avenidas e ruas desertas, lojas fechadas, parecia uma cidade abandonada. Diziam que as autoridades locais decretaram um lockdown por causa de um vírus – o coronávírus - que se espalhou pela cidade e estava atacando as pessoas e muitas delas morreram. Várias teorias de origem do vírus circulavam pela internet, que teria sido criado em laboratório ou que era transmitido por animais silvestres que faziam parte da alimentação dos chineses, o que, até hoje, não foi comprovado.

Na época, autoridades e pessoas influentes do Brasil nos tranquilizavam de que, dificilmente, o vírus viria para cá e, se chegasse, não se manteria vivo por causa de vários motivos, um dos quais seriam as temperaturas elevadas do verão. O estrago, portanto, seria mínimo. Um ministro falava em, no máximo, 800 mortes por causa da pandemia, o que o presidente Bolsonaro andou replicando, insistindo, ainda, que se mantivessem normais as atividades econômicas. Afinal, “todos vamos morrer um dia”.

Na contramão do presidente, governadores e prefeitos criaram comitês especiais para enfrentar a pandemia que desembarcou de aviões e cruzeiros, instituíram distanciamentos e determinaram restrições de atividades. As consequências foram o fechamento parcial ou definitivo de negócios, com perda de rendas e salários para milhões de pessoas. Foram medidas nunca antes vividas, mesmo por gente de mais idade, e que foram questionadas por muitas pessoas importantes, inclusive o presidente do Brasil, gerando discussões acaloradas nas redes sociais.

A partir de outubro tinha-se a impressão de que a pandemia estava sendo vencida. Ledo engano. Com o cansaço das inúmeras e intermináveis restrições, as pessoas abandonaram as recomendações de observar o distanciamento. No feriadão de 12 de outubro e, logo em seguida, nas campanhas eleitorais, as aglomerações voltaram nas praias e nas cidades. O resultado foi o aumento da taxa de transmissão, UTIs de hospitais sobrecarregadas e aumento da média móvel de mortes. Embora a gente tenha se cansado do vírus, infelizmente, o vírus não se cansou da gente e estamos assistindo e talvez vivendo um repique da pandemia que, até hoje, já matou mais de 183 mil pessoas.

Num quadro desses, o Natal deste ano também deveria ser diferente por causa da pandemia. Uma sala, um terraço ou um pátio cheio de pessoas das mais variadas idades, com algum laço de parentesco, amizade, coleguismo, etc, reunidas em torno de uma mesa farta de janta ou almoço, deveria ficar para o próximo ano. Com a taxa de contágio da Covid-19 em alta – em 1,14 – médicos alertam que a única forma de ter certeza de não passar ou receber a doença, que poderá ser fatal para familiares e amigos, é abrir mão de uma comemoração presencial. Mas, pesquisas revelam que 79% dos brasileiros vão passar o Natal em casa com suas famílias; 65% farão o mesmo na virada do Ano Novo. Algumas medidas podem reduzir o risco da contaminação, como o uso de máscaras e manter o distanciamento, evitando os abraços, beijinhos e apertos de mão.

As compras de Natal também devem sofrer com a pandemia. A mais importante data para o comércio, com o maior volume de vendas do ano, tende a não expressar números iguais aos de anos anteriores. Isso por conta da situação financeira da maioria das pessoas estar mais difícil neste ano, além das incertezas provocadas pela pandemia.

Mesmo assim, institutos de pesquisas desmentem a previsão de vendas menores neste ano. Parece que os brasileiros querem conservar o espírito natalino e, ignorando um ano cheio de problemas e desafios, querem comprar, tanto em lojas físicas como em e-commerce.

Com a mudança do perfil do consumidor, devido à pandemia, o e-commerce deverá superar as compras em lojas físicas, aumentando os riscos aos golpes praticados na internet. A Delegacia Civil de Minas Gerais alertou para quatro tipos principais: o golpe do falso boleto, os sites falsos de compra, o falso leilão e a clonagem de whatsapp.

Em contrapartida, a mesma Delegacia lista quatro importantes dicas:

1ª - Buscar informações sobre a empresa, pessoa ou site em que estiver realizando as compras. Consultar sites de defesa do consumidor, órgãos de segurança pública e sites de reclamações;

2ª - Ter cautela ao fazer qualquer tipo de negociação;

3ª - Desconfiar sempre, principalmente quando o preço e as vantagens são exorbitantes;

4ª - Na dúvida, não fazer a compra.

Um dos itens que costuma provocar rombos nos orçamentos pessoais e familiares são os presentes, principalmente de Natal. As pessoas não costumam prever em seus orçamentos o valor de presentes que precisam comprar durante o ano para familiares, colegas de trabalho, amiguinhos dos filhos, por ocasião, principalmente, de aniversários e de datas especiais.

Antes de comprar o presente, é importante pesquisar, se for o caso, o que a pessoa realmente deseja ou precisa, para torná-lo útil. É o caso daquele cidadão que, depois de vários meses, recolheu, ainda guardado dentro da caixa, o forno de microondas que havia dado de presente para sua mãe, simplesmente porque ela não se interessou por esse eletrodoméstico.

Como diz Reinaldo Domingos, criador da DSOP Educação Financeira, “é hora de juízo: não só saber para onde o dinheiro vai, no presente e em presentes, mas também para onde ele irá no futuro”, no que um bom planejamento é fundamental.   

Postado por Francisco Teloeken- francisco.roque@viavale.com.br
Gazeta Grupo de Comunicações
Rua Ramiro Barcelos, 1206 | Santa Cruz do Sul - RS
(51) 3715-7800 | portal@gaz.com.br
Desenvolvido e Mantido por
Equipe de TI Gazeta Grupo de Comunicações